O encerramento unilateral de mais um contrato de patrocínio de uma empresa estatal ao esporte é só um novo episódio que mostra o despreparo técnico de diversas figuras do novo governo. Ao culpar a baixa exposição de marca da Petrobras para justificar a quebra do acordo com a McLaren, na Fórmula 1, ou então falar que não tem sentido uma empresa de um país emergente apoiar uma equipe de um país desenvolvido, o governo dá mais um vexame público.

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O esporte, hoje, está dominado pelo patrocínio de empresas de países emergentes. É só ver quem patrocina os grandes clubes mundiais, ou as grandes competições que dão exposição às marcas, para perceber que o jogo já mudou há alguns anos.

As grandes marcas mundiais, já consolidadas, não precisam mais tanto dos atributos que o esporte carrega para construírem sua trajetória comercial. Essas marcas não se aproveitam da exposição de mídia, mas sim do apelo emocional do esporte. É por isso que ocupam um outro território, em que não se preocupam tanto com a marca exposta na mídia, mas com o que o esporte pode trazer de ganho na conexão emocional com o consumidor.

Quando o ministro Osmar Terra diz que a exposição que a Petrobras tem na McLaren é baixa perto do valor pago pelo patrocínio, comete dois erros. O primeiro ao reduzir a exposição apenas ao capacete do piloto. O segundo, mais grave, é de não entender que o ganho que existe para esse patrocínio está naquilo que não se vê. A Petrobras conseguiria desenvolver um produto que a colocaria entre as grandes marcas mundiais a partir do patrocínio.

É exatamente essa ambição global que deveria fazer parte dos planos de um país emergente. O patrocínio a uma equipe de Fórmula 1 poderia ainda ajudar o novo governo a mostrar que os erros do passado não fazem parte dessa nova história. Mas, ao que tudo indica, o despreparo de quem está no poder para tratar questões técnicas é enorme. Aceita-se o discurso superficial de corte de custos, sem se preocupar com a estratégia de algumas ações que podem colher frutos no longo prazo.

Muitas das mazelas do esporte no Brasil estão relacionadas exatamente a esse tipo de comportamento dos nossos dirigentes. Olhamos apenas parte do problema, sem uma visão maior do todo e sem qualquer planejamento de longo prazo. Encerrar o patrocínio esportivo não resolverá o problema das estatais no Brasil. Seguimos, como há décadas, precisando que o país tenha um plano de governo, e não de poder.


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