A entrada do Esporte Interativo na briga pelos direitos de TV do futebol brasileiro acabou com uma hegemonia de 20 anos da Globo na TV fechada. Mas será que isso é o que vai fazer com que a emissora deixe de ser tão poderosa dentro do futebol nacional?

A disputa da vez, entre Palmeiras e Globo, é só mais um ingrediente na salada da venda dos direitos de transmissão do Brasileirão a partir de 2019. 

O Brasil, hoje, vive o mesmo dilema da Itália, há 15 anos. Naquela época, os italianos viram que não dava mais para ter dois grupos diferentes negociando direitos de transmissão. 

Hoje, os italianos tentam recuperar o tempo perdido em relação a Alemanha, Espanha e Inglaterra, que criaram ligas fortíssimas e rentáveis.

Por aqui, parte da indústria celebrou a entrada de um novo e agressivo concorrente no mercado. Ver a Globo não ser a única a sentar na mesa para negociar um contrato de fato é algo bom para o mercado. Mas será que os clubes adotaram a melhor estratégia para mudar a relação com a emissora?

Do jeito que está, o Esporte Interativo só significará uma injeção de grana a mais no futebol, que seguirá muito dependente da televisão. Pior ainda. No médio prazo, os clubes que fecharam com o EI e não se ajustaram com a Globo para TV aberta e PPV verão que o estrago é muito maior que uma compensação financeira apenas.

A concorrência por direitos deveria fazer os clubes se unirem para negociar em bloco melhores condições de produção e distribuição de conteúdo, tomando para si algo que é da TV. 

Mas falta inteligência para aproveitar o momento e não só se apoiar num novo concorrente para ganhar uma boa grana apenas no curto prazo.


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