O furor que causou no mercado há três anos a proposta do grupo Turner para dividir a cota de direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro virou passado em apenas quatro meses de bola rolando do primeiro ano de vigência do novo acordo que pretendia mudar a história do futebol nacional.

Houve quem quisesse equiparar o futebol do Brasil à badalada Premier League. Ou quem acreditasse que chegaria ao fim a disparidade na divisão do bolo da TV para os times. Ou ainda quem quisesse enxergar que era o fim do monopólio nas transmissões. 

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As teorias ganharam ainda mais corpo quando o Palmeiras peitou a Globo e negociou por mais cinco rodadas depois de iniciado o Brasileirão o contrato para a TV aberta, impedindo que seus jogos fossem transmitidos. Parecia que o grito de independência dos clubes finalmente estava sendo ouvido. Era só ver como a Turner ia bem na audiência dos jogos que exibia do clube paulista, sempre com exclusividade.

Quatro meses após a comoção, tudo volta a ser como era antes. Com dificuldade no caixa, a quem os clubes vão recorrer? 

Enquanto não se livrar dos problemas de gestão internos, o futebol brasileiro não conseguirá ser independente da TV. Nem mesmo a evolução no modelo de divisão de receitas da TV resistiu à falta de condições dos clubes de manterem suas contas em dia e, assim, planejarem o ano com calma.

O maior vilão do futebol não é a emissora que financia a maior parte do esporte, mas a incapacidade dos clubes em terem uma gestão equilibrada financeiramente. A evolução que a Turner e o Esporte Interativo trouxeram para o mercado não durou nem metade do primeiro campeonato sob novo contrato! Quem assegura que, nessas condições, a emissora americana terá interesse em seguir a aposta no futebol?

Para conseguir mudar o sistema, de nada adianta um ou dois clubes terem saúde financeira. É preciso toda uma evolução na cadeia produtiva do futebol. Ou, então, que pelo menos os clubes se unam para debater em conjunto seus contratos. Como o histórico recente mostra que a união só aparece quando eles precisam pedir ajuda para conseguir dinheiro no curto prazo, fica difícil imaginar novo horizonte a caminho.

Qualquer movimento de evolução no futebol breca nos velhos vícios dos nossos clubes. Na Europa, foi necessário existir uma forte intervenção governamental dentro dos clubes para que os problemas começassem a ser sanados e o futebol evoluísse. Será que precisaremos também da força da lei para reformar o sistema?


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