Podem começar a atirar as pedras, mas eu gostaria de ter Usain Bolt no meu time. Confesso que demorei um pouco a aceitar a ideia, que começou a ser maturada quando vi a reação de todas as crianças da família assistindo aos gols marcados por Bolt num amistoso de pré-temporada na Austrália. Era o último bloco do "Jornal da Band". As crianças, que àquela altura corriam dentro de casa numa brincadeira qualquer, pararam para ver a TV quando ouviram o nome de Bolt.

É impressionante a força de marca que o jamaicano tem. Os dois gols marcados por ele foram notícia mundial. Repercussão no Twitter, matéria nos principais telejornais, capa em diversos jornais e sites. Ninguém se importava muito com quem havia sido o adversário. O fato era que Bolt havia conseguido anotar seu primeiro gol.

Depois de ver a reação familiar e começar a analisar a repercussão mundial do que ele havia conseguido fazer, comecei a imaginar quanta bobagem o futebol brasileiro já produziu usando por trás a desculpa de que aquilo era uma ação de marketing.

Ex-jogadores em atividade contratados a peso de ouro e sem qualquer chance de dar retorno dentro ou fora de campo. Obscuros jogadores estrangeiros que vieram passear por aqui e não geraram retorno nem no Brasil e muito menos no país de origem deles, onde eram anônimos. Sem falar na piada de mau gosto de ter um atleta condenado na Justiça por assassinato e disputando campeonato em troca de cinco péssimos minutos de fama do Boa Esporte com o ex-goleiro Bruno.

Por que não investir em Usain Bolt? O amistoso de pré-temporada do Central Coast Mariners disputado em Sydney estava com o estádio lotado. A galera foi à loucura quando o jamaicano anotou o primeiro gol. Será que Bolt não teria espaço como um veloz atacante em diversos times do Brasil? Nem que fosse para disputar um Estadual como forma de adaptação e, quem sabe, ficar para o restante da temporada?

A presença do jamaicano por aqui ajudaria a alavancar internacionalmente a marca de um clube, chamaria a atenção da mídia mundial e poderia, num médio prazo, auxiliar na promoção da marca dos campeonatos brasileiros no exterior. Isso sem falar nos ganhos do clube em ter o jamaicano presente em seu cotidiano.

Geralmente uma ótima sacada de marketing sempre flerta com o fracasso. Ainda não sei qual seria o resultado de uma contratação de Bolt por um clube brasileiro. Mas confesso que, se eu tivesse o poder de escolha, apostaria as fichas no jamaicano.


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