O começo de temporada do futebol brasileiro é pura melancolia. Os torcedores, sedentos por voltar a ver seus times, têm que aturar um produto de má qualidade. A discussão sobre a sobrevivência do Estadual, que rodou por todo o século, parece ter chegado ao limite em 2020. Nunca os torneios foram tão pouco valorizados pelas equipes ao redor do Brasil.

Ao longo desses 20 anos, muito se falou, tentou, mas pouco mudou. Dos interestaduais disputados em 2002 ao desprezo criado em 2020, os Estaduais mantiveram mais ou menos o mesmo formato e as mesmas infinitas datas em um calendário único no futebol mundial. Não há país com tantos jogos disputados quanto há no Brasil.

O maior símbolo dessa situação aconteceu nesta semana, com a partida entre Flamengo e Vasco. O primeiro grande clássico do ano teve times reservas. O Flamengo, pelo fato de ter disputado o Mundial, nem time tem para entrar em campo, enquanto o Vasco foi sensato quanto ao desgaste promovido logo nas primeiras semanas da temporada. Poucas vezes os cariocas mostraram tão pouco apreço ao torneio.

Até pouco tempo, o grande argumento dos Estaduais era a presença de grandes clássicos, mas está claro que hoje nem isso mobiliza as equipes. Os jogos logo nas primeiras rodadas criam uma saia justa aos clubes, e não um grande espetáculo.

Esportivamente, a diferença entre os times é gritante. O abismo financeiro criado entre as grandes equipes e as agremiações menores nunca foi tão grande, com exceção do Red Bull Bragantino, um caso totalmente à parte. Ainda assim, a equipe paulista está na Série A do Brasileirão, então já não pode mais ser considerada menor.

Como foi visto em anos anteriores, os times passam com alguma facilidade pelos menores e, no começo do Brasileirão, fica claro que as primeiras partidas do ano pouco representam. Os jogos servem de treino, mas com ritmo de jogo oficial.

Nem mesmo a televisão tem demonstrado grande interesse. A Globo, maior promotora do futebol brasileiro, já deixou de lado os torneios e, neste ano, não conta com a transmissão do Flamengo. O time de maior torcida do Brasil estará invisível durante três meses. A emissora, claro, não vê sentido em gastar mais em um produto fraco.

LEIA MAIS: Verba do pay-per-view trava Flamengo no Estadual

Ao longo dos últimos anos, pouco foi feito para melhorar o insano calendário brasileiro. Agora, parece que a situação ainda bate direto no bolso das equipes: esses são meses de pouquíssimo rendimento. Resolver os Estaduais tem que voltar a ser prioridade no futebol nacional.


Notícia Campeonatos Estaduais mídia marketing prioridade calendário mercado futebol