Para começar, um ponto que eu defendo e que não combina com o título da coluna. Sim, eu acho muito legal a ideia de fazer a final da Libertadores num jogo único, em campo neutro.

Mas paremos por aí a nossa tentativa de gourmetizar nosso futebol. Ou, ao menos, de copiar o modelo europeu.

Culturalmente, é inviável pensar em termos, por aqui na América do Sul, alguns hábitos do futebol europeu. Nós somos latinos, pulsamos paixão por times de futebol muito mais do que pelo futebol bem jogado em si.

As nossas decisões são tomadas com a interferência da emoção. Essa história de ter cabeça fria para pensar em futebol passa muito longe daqui.

É só ver o que foi a algazarra de argentinos, chilenos e colombianos por aqui no período da Copa. É só ver o que podemos produzir, se não houver tanta interferência de entes públicos, em termos de festa num estádio.

Não foi por conta da organização do espetáculo fora de campo que os europeus chegaram ao patamar atual.

Houve uma completa reformulação na forma de enxergar o negócio. Pensar sempre no consumidor e nos parceiros de clubes e entidades.

Uma prova de como as culturas são distintas pode ser comprovada no anúncio da saída de Arsène Wenger do Arsenal depois de 22 anos como treinador. No período em que o clube teve Wenger, a camisa do time pouco mudou. Foram dois fornecedores de material esportivo (Nike e Puma) e quatro patrocinadores. Sim. Em 22 anos, só seis marcas estiveram na camisa do Arsenal.

Esqueçam a Europa!

Aqui, a cultura é muito diferente.


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