A crise dos esportes olímpicos no período de ressaca pós-Rio 2016 levou a um movimento que, no final das contas, poderá ser benéfico para o esporte. No entanto, ainda levará um tempo para termos essa percepção.

Após duas décadas em que ficamos acostumados a ter poucas opções para consumir esporte na mídia, estamos reaprendendo a ter cada vez mais canais transmitindo diferentes modalidades. E isso, no fim das contas, ajuda a popularizar mais o consumo do esporte no país, apesar de num primeiro momento gerar certa confusão para o espectador.

A transmissão de um evento ao vivo é, hoje, um dos raríssimos produtos que levam para a TV uma audiência expressiva. Não por acaso, os recordes obtidos neste ano por diversas emissoras estão relacionados diretamente ao evento esportivo ao vivo. Se não é do esporte, é de alguma competição com final inesperado, como os reality shows de culinária e de música.

Nesse cenário, o esporte se transformou num produto de alto valor agregado para as emissoras de TV. O lado bom, para o esporte, é que ao mesmo tempo em que as emissoras passaram a querer mais esse tipo de conteúdo, a Globo decidiu colocar um freio na sua mania de não ter o controle sobre tudo. Dimensionando melhor os gastos, a emissora decidiu deixar de ter tudo para concentrar investimentos nos produtos que lhe são mais rentáveis.

Isso, por um lado, deixou o esporte olímpico órfão da verba da emissora. Mas, ao mesmo tempo, abriu para o consumidor a oportunidade de acompanhar sua modalidade preferida sem ser obrigado a ter uma única opção para isso. As entradas da Cultura no vôlei, da Band na NBA e do NBB em várias plataformas mostram bem isso.

O esporte se beneficia da pulverização de distribuição do seu conteúdo. Todos nós temos a opção de ver, em diferentes meios, as competições. E, da mesma forma, o esporte consegue criar alternativas para encontrar novos consumidores no mercado.

A chave para que esse movimento se perpetue, porém, está na compreensão de um conceito que apenas o basquete conseguiu até agora. A mídia é um meio para o esporte, e não o começo, o meio e o fim. Enquanto as modalidades não assumirem para si o risco de serem as produtoras do seu próprio conteúdo, terão de viver conforme a música que a mídia tem interesse em tocar, como acontece agora.

A pulverização da distribuição do esporte pela mídia ajuda, mas o esporte só será mesmo beneficiado por todo esse movimento se ele se tornar o produtor do conteúdo.


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