A indústria esportiva (e do entretenimento de forma geral) terá em 2020 um dos maiores desafios deste século e um dos maiores desde a profissionalização do segmento. Ainda é difícil mensurar qual será o impacto real, mas o momento exige tanta preocupação quanto a crise de 2008, que gerou o afastamento de diversas empresas, como no apagão de marcas nos times espanhóis.

Por um lado, a crise desta vez tende a ser momentânea, longe do longo período de recuperação necessário para apaziguar os efeitos do crash da última década. Por outro lado, o tremor financeiro há uma década não chegou a cancelar por completo alguns dos principais eventos do mundo. Agora, como pôde ser visto na segunda-feira (9), o mercado de forma geral não passará imune às consequências do coronavírus.

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De qualquer maneira, será mais um capítulo que envolve um segmento que se mostra bastante frágil. Primeiro, claro, porque não é um bem de consumo essencial e, como qualquer outro, não é prioridade em momentos de crise. Mas, mais do que isso, a grande maioria das entidades esportivas não tem muitas alternativas de vendas. A ausência de público, por exemplo, costuma representar uma perda de 30% dos negócios. Um número demasiadamente alto para qualquer companhia.

Caso as consequências aconteçam no futebol brasileiro, o problema pode ser ainda maior. Ainda que conte em maior parte com a verba de TV, qualquer redução pode ser catastrófica, graças à saúde financeira delicada da maioria das equipes. Basta lembrar a situação do São Paulo, que fechou a última temporada com um inacreditável déficit de R$ 180 milhões. É difícil imaginar o efeito de um faturamento menor.

Vale a ressalva de que as atuais medidas do esporte contra o coronavírus estão longe do exagero. Com taxa de letalidade acima dos 3%, a infecção já matou 4 mil pessoas pelo mundo. A vacina ainda não tem qualquer previsão de lançamento, e a contenção da transmissão pode representar a sobrevivência de milhares de pessoas. O esporte, portanto, não tem muito o que fazer para voltar a ser o que era em curto prazo, pelo menos até o momento em que houver um maior controle da doença.

O cenário parece o pior possível, mas deverá servir de lição para a indústria esportiva por mostrar a importância de ser cada vez mais sustentável. Não só para a manutenção natural da indústria, o que ainda representa uma enorme dificuldade, mas também para ter caixa suficiente para os imprevistos, infelizmente sempre presentes.


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