O impasse entre Flamengo e Globo pode, no fim das contas, ser um bom argumento para ambos se livrarem de um incômodo chamado Campeonato Carioca. A permanecer essa queda de braço dos dois lados, o destino para o Estadual do Rio de Janeiro é reduzir de importância até definhar.

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Os argumentos usados pelos dois lados para justificar o impasse na negociação dos direitos de mídia são válidos. Já que a Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (Ferj) não é competente o suficiente para ser quem negocia a competição com a mídia, o Flamengo assume para si o papel de olhar apenas para o seu negócio. E, aí, faz todo sentido querer mais da TV do que os outros times do campeonato.

Do outro lado, a Globo também apela para a divisão mais igualitária de receita, argumentando que um Estadual mais justo na verba traz, de certa forma, maior equilíbrio técnico, o que aumenta a imprevisibilidade do resultado e, com isso, eleva o interesse pelo torneio.

O problema é que, na prática, esse debate já nasce completamente viciado. Em termos de arrecadação, o Flamengo não precisa do Estadual do jeito que é hoje. E, para a Globo, é melhor negócio deixar de gastar centenas de milhões de reais com os Estaduais no começo do ano para investir em um Campeonato Brasileiro (em que ela paga quase R$ 2 bilhões) mais fortalecido.

Foi essa queda de braço com o Athletico-PR no Campeonato Paranaense que fez a emissora desistir da competição. E, a julgar pelo rumo que as negociações têm tomado no Rio, deve representar o mesmo fim para o Campeonato Carioca. Porém, com uma grande diferença: se a Globo quiser, ela tem força para mexer no Brasileirão e enterrar de vez os Estaduais dentro do calendário já apertado. E, aí, outras empresas de mídia, como o DAZN, que salvou neste ano o Paranaense, terão dificuldade para frear essa mudança.

A briga entre Flamengo e Globo sintetiza, em resumo, a série de pequenos erros que existe na relação do futebol brasileiro com a mídia. De um lado está a fraqueza dos clubes, que não se unem para negociar em conjunto os direitos. Assim, na briga do "cada um por si", o prejudicado sempre é o torcedor que fica sem ver seu time. Do outro, está a força demasiada da mídia, que tem baixíssima concorrência na disputa pelos direitos e, assim, consegue determinar as regras do jogo como quiser.

No mundo bem gerido do futebol, os clubes entendem que precisam negociar em bloco os direitos de mídia. E sabem que é preciso ter uma divisão mais justa de receita para melhorar o produto como um todo e ganhar mais dinheiro no fim das contas.


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