A situação financeira do Corinthians ilustra quanto é necessário novos ares no clube, dominado há mais de uma década pelo mesmo grupo político. Neste momento, não há nada que justifique tamanha deterioração da equipe, seja nas contas ou no elenco mediano que entra em campo toda rodada.

Segundo publicou o Globoesporte.com, o time registra um déficit de R$ 100 milhões em 2019 e um passivo que chegou a impressionantes R$ 637 milhões, sem considerar a conta do estádio. O valor já está bem acima do que o Corinthians consegue arrecadar anualmente; foram R$ 470 milhões em 2018.

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Há algumas curiosidades no atual momento vivido pelo clube. Andrés Sanchez, atual presidente, ganhou força no Corinthians em 2007, quando o time foi rebaixado à Série B do Brasileirão. O fato só não foi repetido no ano passado pelo fracasso dos adversários, já que a equipe teve pontuação inferior ao time de uma década atrás.

Na campanha política, o mote foi "renovação e transparência", mas os valores também ficaram para trás. O clube, por exemplo, deixou de divulgar balancetes financeiros mensais no site oficial.

Nos últimos anos, o Corinthians tem se ancorado na venda de jogadores, o que é pouco seguro e, esportivamente, uma tragédia. A gangorra entre boas e más temporadas, por sinal, lembra muito os anos 2000 com a gestão de Alberto Dualib. Junto a essa insegurança, estão as movimentações estranhas, como o forte investimento em esportes olímpicos de forma insustentável, além da revelação pela CBF de que o Corinthians é o time que mais paga comissões a agentes de jogadores. No último ano, foram mais de R$ 34 milhões.

A atual gestão também perdeu a capacidade de inovar e trazer novos investimentos, a principal marca do início do grupo, em 2007. À época, o clube criou lojas, projeto de sócio-torcedor e avançou no mercado, em movimento consagrado com a chegada de Ronaldo em 2009. Hoje, o time mantém a antiga estratégia de exposição de patrocínios, com uniforme cheio, mas ganhos significantemente inferiores.

O grande trunfo de Andrés Sanchez atualmente é a renegociação da dívida pela Arena Corinthians. Mas, mesmo nessa área, o atual presidente tenta corrigir uma enorme besteira. Ao se decidir por receber a Copa do Mundo, o estádio passou a barreira do R$ 1 bilhão e ficou longe do projeto original. A conta seria paga com uma receita prometida sem nenhuma base na realidade. Um símbolo dessa gestão.


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