Há 8 anos, o Corinthians celebrava seus cem anos de história, numa temporada que ficou marcada pejorativamente como "sem ter nada", em brincadeira como o termo "centenário" e a falta de títulos no período. À época, a direção do time tinha convicção: isso é só bobagem de torcedor.

E a diretoria do clube tinha toda razão. Formada por Andrés Sanchez e Luís Paulo Rosenberg, os mesmos que estão no poder hoje, ela estava ciente de que o mais importante era como o clube estava recuperado da crise que o rebaixou no campo em 2007. Recuperado o suficiente para fazer do Centenário um enorme sucesso comercial.

Oito anos depois, parece que a lógica se inverteu no Parque São Jorge. Apesar da clara desvantagem técnica frente ao Cruzeiro, não será nenhuma surpresa se a equipe conseguir reverter o resultado e se tornar campeã da Copa do Brasil pela quarta vez na noite desta quarta-feira (17). Seria o segundo título no ano, o quarto nas últimas duas temporadas.

Mas será que haveria muito o que celebrar nos bastidores? No curto prazo, o retorno da dupla Sanchez/Rosenberg é um desastre. Reforço o "curto prazo" porque houve méritos, como a tomada da gestão de lojas e alguns avanços na Arena, mas nada que tenha representado maiores ganhos ao time. Talvez no ano que vem, uma possível reestruturação mostre mais resultados concretos. Por enquanto, no entanto...

Publicamente, o maior avanço com patrocínio máster que o time teve foi com a Caixa, o que seria uma piada considerando o desfecho da parceria. E não houve nada de diferente neste ano, nenhuma parceria que mereça destaque, nenhuma iniciativa que seja digna de nota. O marketing inovador parece ter ficado para trás.

A falta de verba resultou em um planejamento pífio no futebol, digno de rebaixamento. Foram dois desmanches, contratações ruins, saídas de jovens talentos por preços abaixo da média. Nem mesmo o antigo técnico, claramente talentoso, recebeu um incentivo financeiro para manter sua carreira no Parque São Jorge. O caminho, no futebol, é contrário ao que realizou o Cruzeiro, rival desta noite, que se esforçou para segurar o treinador e, mesmo com orçamento menor, manteve sua equipe.

Caso o Corinthians vença a Copa do Brasil, será uma injustiça. Não esportiva, claro. O time se superou para chegar onde chegou, muito graças ao enorme apoio que tem recebido das arquibancadas. Mas, em termos de gestão, será o contrário do Centenário, com uma administração que tem jogado contra. Coisas do futebol.


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