A Conmebol tenta, desde que em 2015 foi derretida pela revelação do grande esquema de corrupção que sempre norteou o comportamento de seus dirigentes, mudar a imagem retrógrada que sempre a acompanhou.

Nesse sentido, o projeto de remodelação da Copa Libertadores era exatamente o melhor produto que a entidade tinha para mostrar que o negócio parece querer funcionar de forma mais profissional. Ou, pelo menos, não tão amadora como era antigamente.

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O problema é que a Conmebol definitivamente não consegue se ajudar. A falta de poder de decisão dos dirigentes que controlam o futebol na América do Sul pode levar para o lixo todo o projeto de mudança de imagem da entidade. Por mais legal que tenha sido a Libertadores este ano, por mais fascinante que seja a competição historicamente, ela não consegue ser um ambiente seguro para quem quer investir nela.

Depois da palhaçada que foi a decisão de levar para a Espanha a final do torneio que é uma forma de celebrar a independência sul-americana dos colonizadores europeus, agora a Conmebol provou que é incapaz de transmitir segurança ao fazer algo.

Por qual motivo a entidade esperou quase uma semana para mudar o local da final da Libertadores? Só depois de o Chile sucumbir aos protestos que os dirigentes perceberam que poderia não ser uma boa ideia levar para o país a decisão do torneio?

Pior ainda é optar por levar o jogo para o Peru, que neste mesmo ano de 2019 foi descredenciado pela entidade para abrigar a final da Sul-Americana e já tinha sido descartado pela Fifa como sede do Mundial Sub-17, que atualmente ocorre no Brasil.

Ao demorar para se decidir, a Conmebol abriu um outro precedente. Enquanto titubeou para tomar uma decisão, o noticiário sobre os protestos no Chile aumentou e ganhou mais força no Brasil e na Argentina. O recado está dado. Os peruanos, que também passam por instabilidade política como toda a América Latina, podem usar o poder midiático do futebol para reivindicar melhores condições.

Por mais que tente dar ares modernos para a Conmebol, nossos dirigentes seguem perdidos quando precisam tomar decisões, por mais amargas que elas sejam.

Não havia motivo para a mudança de sede da final da Libertadores demorar tanto. Agora, torcedores e patrocinadores terão um prejuízo enorme para poder ver aquela que tem tudo para ser uma das finais mais legais da história do torneio.

A Conmebol, definitivamente, não consegue se ajudar.


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