A entrada do grupo DAZN no mercado brasileiro tem impacto tão significativo quanto o fim dos canais Esporte Interativo. Empresa 100% do esporte, o DAZN criou uma revolução no streaming em diversos países. Agora, o objetivo é fazer com que o Brasil entre na lista de propriedades da empresa.

A notícia deveria alarmar os outros concorrentes. Nenhuma outra empresa de mídia que atua no Brasil tem, hoje, a capacidade de investimento do DAZN. Se o salto da marca vier acompanhado de uma oferta cada vez maior de acesso à banda larga no país a custos mais baixos para o consumidor, a chance de o streaming ter mais espaço é gigantesca. Isso já acontece nos Estados Unidos e agora começa na Europa.

A questão é saber se o mercado brasileiro está pronto para absorver essa disputa. O fim do EI foi a prova de que não há espaço para tanta empresa de mídia voltada para esporte no país. Falta dinheiro para bancar tanta oferta de conteúdo. Ter uma plataforma que só transmite jogos ao vivo parece, nesse cenário, um investimento mais certeiro para dar retorno financeiro.

O problema, aí, é saber quanto dinheiro existe no mercado para bancar essa oferta. Atualmente, o streaming passou a ser oferecido ao consumidor como se fossem produtos disponíveis na prateleira.

ESPN, Esporte Interativo, Fox e Globo já cobram mensalidades para conteúdo on-line. A IMG tentou implementar o seu serviço para não sepultar o Campeonato Italiano da mídia justamente após a entrada de Cristiano Ronaldo. A Netshoes criou uma TV com a agência ESM para ofertar conteúdo de outros esportes. 

O ponto é que estamos fazendo esse movimento sem conhecer de fato o real interesse do torcedor. No 1° Fórum Máquina do Esporte, Marcelo Fernandes, do Grupo Globo, falou sobre a pesquisa feita para conhecer um pouco mais os interesses do torcedor. Entre os insights mostrados, estava um que indicava que a pessoa quer, no fundo, acompanhar seu time de coração. Assim, ter diferentes ofertas de conteúdo pago parece ser muito arriscado para ter um negócio lucrativo. A tendência é que, num país com instabilidade econômica, o dinheiro oscile conforme o time na tabela.

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Outro problema que o mercado latino-americano traz para o streaming é a falta de capacidade de nossos gestores. A piada da vez foi levar a final da Libertadores da América entre Boca Juniors e River Plate justamente para o país que colonizou os argentinos. Ainda temos muito caminho a percorrer. E o streaming chega atropelando.


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