Na última década, o esporte viu nas empresas chinesas um convite sedutor para a geração de novas receitas. Futebol, basquete, automobilismo e atletismo são algumas das modalidades que abriram as portas para o dinheiro chinês e passaram a ver nele um de seus melhores parceiros comerciais.

Mas, assim como as modalidades tentam se adequar à realidade da China quando vão levar seus eventos e negócios para o país asiático, cabe aos chineses aceitarem e entenderem os hábitos ocidentais para conseguirem fazer parte desse negócio.

A queda de braço entre a NBA e a China é o mais novo episódio envolvendo americanos e chineses em conflitos ideológicos que são transformados em crises econômicas. O exemplo que vem do alto comando dos dois países, agora, chega ao esporte. Só que, no momento, a situação começa a ficar mais complicada para os chineses.

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O esporte não depende tanto assim da China, embora o país asiático seja muito importante para os negócios. Ao contrário de praticamente todo o restante da indústria global, a mão de obra especializada para produzir o conteúdo dentro do esporte não depende em nada do mercado chinês.

E é exatamente isso que está em jogo no atual momento de disputa entre a NBA e os chineses. A liga pronunciou-se de forma mais clara nesta terça-feira (8) defendendo toda e qualquer liberdade para a manifestação de atletas e dirigentes dos times. Isso não significa que ela endosse a opinião de quem trabalha para ela. Mas a pessoa tem o direito de se manifestar.

Esse é um princípio básico em qualquer democracia. E que não pode, nunca, ser colocado em xeque por questões econômicas, com o risco de colocar abaixo a própria democracia. E é exatamente o entendimento desse princípio que o chinês tem que ter.

O investimento maciço da China no esporte tem, como princípio, um desejo do governo local de manter a população satisfeita com o país. Entregar entretenimento de qualidade fez a China abrir-se para o mundo pelo esporte e levar o melhor conteúdo possível para incentivar a sua população a ter hábitos de vida mais saudáveis. Tudo isso num plano bem definido e que começou com os Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008.

Agora, a China enfrenta um grande problema. Ela precisa aceitar o jeito de ser do Ocidente porque, pelo menos por enquanto, os chineses não conseguem mão de obra qualificada para exportar o esporte para todo o mundo. O poder econômico chinês, pelo menos nesse caso, não deve conseguir se sobressair à falta de talento do povo.


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