Há mais de uma década, a Confederação Brasileira de Judô é uma ilha no esporte brasileiro: reúne eventos, patrocínios e estrutura. Virou um case de sucesso ao mostrar que uma modalidade olímpica pode e deve ser sustentável caso tenha uma gestão competente. Mercado e mídia facilmente perceberam isso, o que ajudou a construir a atual reputação da entidade. O problema é que essa situação está longe de ser definitiva; ela pode mudar com rapidez.

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É assim que funciona com qualquer marca, independentemente do segmento de atuação. Uma crise de imagem mal administrada pode colocar por terra anos de esforços na construção daquilo que é publicamente percebido. E é esse o perigo que a CBJ corre no momento: não saber que, de fato, ela vive uma crise. E, dessa maneira, perder o que qualquer outra confederação esportiva no Brasil adoraria ter.

A desistência da realização de um grande evento implica em uma série de problemas. Ao cancelar o Grand Slam de Judô, tão bem realizado em anos anteriores, a CBJ passa algumas mensagens desagradáveis. A primeira, claro, é que ela deixa de entregar um produto de alto nível para seus parceiros. O evento passou a ser esperado por patrocinadores.

Um dos grandes méritos da CBJ nos últimos anos foi reunir empresas privadas. Atualmente, a entidade conta com o aporte de Bradesco, Cielo e Mizuno. Fundamentalmente, essas companhias apostavam em uma gestão comprometida, possibilidade de ações sociais e entrega de primeira qualidade em grandes eventos. Com o cancelamento do Grand Slam, parte do que era esperado ficou para trás e, dessa forma, o produto passa a ser menos interessante.

Talvez ainda pior do que isso é a imagem de que a atual gestão do judô nacional não seja mais capaz de fazer um grande evento, algo que aconteceu com muita qualidade há apenas alguns anos. Evidentemente, há um cenário de incertezas econômicas, mas houve pouca mudança desde a época em que o acordo foi acertado, há cerca de três meses. É um comprometimento que deveria ter sido mantido.

Um cancelamento de competição não coloca em dúvida todo o trabalho realizado pela CBJ nos últimos anos, mas é uma notícia desanimadora. A entidade foi marcada pela excelência, e o esperado era que um grande evento fosse mantido mesmo que fossem necessários sacrifícios, especialmente com o apoio do Ministério do Esporte. No fim, ficou uma situação que compromete a imagem da confederação.


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