A CBF apresentou o Campeonato Brasileiro em uma cerimônia cheia de pompa. Em foco, a preocupação da entidade em transformar seu principal torneio em um produto melhor, algo louvável e que traz alívio a quem trabalha nesse meio. Mas será que os pontos abordados são os mais urgentes para o futebol no país?

A reclamação enfática do presidente do Santos, Modesto Roma Júnior, durante o evento, deixou claro que não. Registra-se: o que será feito com o clube paulista é escandaloso. Suas chances de título serão extremamente reduzidas com a ausência de meio time durante um quarto do Brasileirão. Só nesse exemplo já se percebe que o calendário é uma questão muito mais urgente do que qualquer outra apresentada.

Mas talvez o mais fundamental é a falta de preocupação com o torcedor que vai ao estádio. Não há nenhum plano da CBF que facilite a vida dele. Segurança e conforto são questões que passaram longe da entidade. E, para piorar, foi criado o horário na segunda que na Europa pouco tem agradado.

É algo absolutamente óbvio, mas parece que nem sempre é percebido: estádios cheios valorizam mais o produto do que uma música bacana no momento em que os times entram. Na Liga dos Campeões, por exemplo, não há dúvida de que o “padrão Uefa” dos estádios foi mais decisivo para o sucesso da competição do que o seu famoso hino.

O que parece é que a CBF quer dar um passo maior do que a perna. Hoje, o futebol brasileiro tem calendário desiquilibrado, com partidas de péssimo nível técnico e uma média de público que insiste em ficar abaixo das 20 mil pessoas. Não será o “protocolo de entrada dos jogadores” que resolverá essas questões.


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