A decisão da Caixa Econômica Federal de simplesmente suspender todos os pagamentos de verba ao esporte vai contra todo o discurso que foi usado pelo presidente Jair Bolsonaro durante sua campanha eleitoral. O governo que foi eleito pela maioria da população tinha como uma das principais premissas promover uma limpeza ética na relação das entidades públicas e privadas, tanto que Sergio Moro, o estrelado juiz da Operação Lava-Jato, virou Ministro da Justiça.

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Outra premissa do novo governo foi exatamente a de acabar com a farra de investimento público em entidades esportivas. Após três décadas de empresas estatais injetando dinheiro no esporte para auxiliar o Brasil a ter um mínimo de profissionalização na disputa de competições, chegou a hora de rever esses conceitos.

Até aí, tudo é legítimo. Bolsonaro pegou um anseio popular por combate à corrupção e tratou de criar a ilusão de que esse mal será erradicado apenas com um novo Presidente da República. Além disso, cada empresa estatal precisa montar sua estratégia de mercado e pode, naturalmente, investir onde achar que é mais interessante.

O problema é que, ao não cumprir com contratos em vigência, a Caixa age contra o princípio básico que ajudou a eleger Bolsonaro: ética na relação público-privada. Não existe motivo para a estatal não pagar entidades com contratos vigentes (e com todas as obrigações contratuais cumpridas) ou, então, dar novo entendimento jurídico para não repassar a verba das Loterias ao Comitê Olímpico do Brasil (COB).

O caso é tão bizarro que a Caixa é a única das estatais que não está cumprindo com suas obrigações contratuais. O Banco do Brasil segue a ser patrocinador do vôlei e cumpre tudo aquilo que está previsto em contrato. Da mesma forma, outras estatais pagaram tudo o que restava e, só no fim do patrocínio, optaram por não renová-lo.

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Num governo que já perdeu parte de sua popularidade após os 100 primeiros dias e está marcado por uma série de idas e vindas em tomadas de decisão, o esporte parecia ser uma das áreas em que não haveria muito o que polemizar. A atitude da Caixa com as entidades, porém, poderá gerar um efeito cascata e criar uma crise num assunto em que não precisariam existir polêmicas para o novo governo.

É possível debater se o dinheiro público pode ou não financiar o esporte. Só não existe debate para descumprimento de contrato. E essa é a grande bola fora da Caixa que começa a gerar mais um foco de crise dentro do novo governo.


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