O levantamento da Bundesliga sobre as mudanças de comportamento do torcedor no momento de consumir o esporte pela mídia dá uma luz otimista ao mercado, mas também mostra que não existe uma zona de conforto bem definida; há a necessidade de ajustes para o futuro.

O grande fato apresentado é que não há dispersão de interesse entre os mais jovens em relação ao campeonato nacional de futebol. O jovem torcedor, inclusive, soma mais horas de consumo ao esporte. Mas seus hábitos são diferentes. O levantamento apontou, por exemplo, que o jovem gosta de transmissão personalizada, com um conjunto de informações e imagens que ele possa escolher para si. Ele está menos disposto a assistir uma partida inteira porque quer também acompanhar a rodada. E, no fato mais sabido, a segunda tela ganha cada vez mais importância.

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Além disso, está a disponibilidade maior em gastar por um serviço de streaming para assistir ao futebol. É a consequência de uma geração acostumada à Netflix e ao Spotify. Um DAZN faz muito mais sentido para alguém nesse universo, em comparação àquele que sempre assistiu aos eventos em TV aberta.

Por fim, os dados levantados pela Bundesliga mostram que o aparelho de televisão continua em alta: a maioria quer assistir às partidas por esse meio, ainda que celular e tablet tenham crescido. No fim, há um jovem torcedor mais exigente: quer o máximo de qualidade em imagem, com o máximo possível de informações.

Foto: Reprodução / Twitter (@DFL_Official)

São lições importantes para o atual momento do mercado de transmissões esportivas. Elas quebram a ideia de um jovem torcedor distanciado do futebol, mais ligado a novas modalidades, como os e-Sports. E, ainda que a pesquisa tenha sido aplicada na Alemanha, o consumo de mídia tem semelhanças globais. Não é necessária muita imaginação para adequar os dados ao torcedor adolescente que vive no Brasil.

Mesmo com essas informações, o mercado parece ser ansioso com o streaming. Um bom exemplo foi a possibilidade de o Facebook perder a transmissão exclusiva da Libertadores após a reclamação de torcedores. A notícia teve que ser oficialmente negada pela Conmebol. O incômodo, no entanto, é fácil de entender: além dos possíveis problemas técnicos, a partida na rede social não tem nenhuma possibilidade de personalização, e jogar a imagem para a televisão não é uma tarefa simples. Para as novas ferramentas triunfarem, é preciso saber ouvir os novos consumidores.


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