A frase alardeada de que o Brasil foi coadjuvante do prêmio Bola de Ouro da Fifa é verdade em parte. Na seleção do ano, o país colocou seus dois zagueiros da Copa (David Luiz e Thiago Silva) no time titular. Já a equipe reserva foi escalada com os dois laterais brasileiros do Mundial (Daniel Alves e Marcelo), além da presença óbvia de Neymar no ataque.

Contando os 22 jogadores escalados nas duas melhores equipes do ano, há 5 brasileiros, 4 alemães, 3 espanhóis e 2 argentinos. Áustria, Bélgica, Costa do Marfim, Croácia, Holanda, Portugal, Suécia e Uruguai tiveram um atleta cada.

O estranho de tudo isso é que a zaga, alardeada como trunfo da seleção brasileira, foi um dos pontos fracos da equipe no Mundial do Brasil. Nunca o time nacional levou tantos gols em uma Copa (14), em grande parte graças às constantes falhas de Daniel Alves, David Luiz, Thiago Silva e Marcelo, premiados pela Fifa. Marcelo aliás, obteve a pouco honrosa distinção de tornar-se o primeiro brasileiro a fazer um gol contra em Copas do Mundo.

Não bastasse isso, o 7 a 1 vai nos atormentar pelos próximos 50 anos, deixando o Maracanazo em um papel de simples figurante na relação dos maiores vexames da seleção brasileira, que completou 100 anos de história no ano passado.

Nenhum brasileiro foi fundamental nas principais competições europeias na última temporada. Não há atletas do país exercendo o papel de protagonista de algum clube de ponta do velho continente, como já tivemos com Romário, Ronaldo, Ronaldinho e Rivaldo, só para citar atletas que começam com “R”.

Com tudo isso, o Brasil ainda é a nação que mais teve atletas escalados na eleição da Fifa. Como explicar?

Em um texto em que discutem erros na gestão de clubes, o jornalista Simon Kuper e o economista Stefan Szymanski afirmam que certas nacionalidades são sobrevalorizadas. O anúncio da contratação de um volante alemão ou um atacante brasileiro responde bem mais aos anseios de torcedores e mídia do que um zagueiro marroquino ou um meia japonês, por exemplo.

O mesmo fenômeno parece se refletir na enquete entre capitães, treinadores e jornalistas dos 209 filiados à Fifa. Está na hora de os jogadores do Brasil de fato recuperarem em campo a tradição que os tem guindado às seleções de melhores da temporada.


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