Nesta semana, a redação da Máquina do Esporte viveu um episódio curioso, que só poderia acontecer quando o assunto é um produto completamente desajustado às melhores práticas do mercado, como o Campeonato Brasileiro. Ele ilustra bem como o torneio é gerido de forma torta.

Ao publicarmos os planos da SportPromotion com o Brasileirão, enviados pela própria agência, com projeto de redes sociais e ações em campo, a CBF imediatamente se manifestou. Pela concorrência realizada pela entidade, a empresa tinha direito apenas à venda de placas publicitárias, sem essa gestão de patrocinadores.

A entidade alegou que a matéria publicada estava, portanto, errada. Mas não estava. O contrato da SportPromotion com a CBF, de fato, envolve apenas a venda de placas, mas o projeto da agência vai além. Só que, para ativar um plano comercial para o Brasileirão, as conversas para as ações de campo têm que ser com os clubes, individualmente, sem a confederação.

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A SportPromotion sabe que vender um patrocínio de torneio só com a placa de publicidade é uma aberração; nenhum torneio desenvolvido se limita a isso ao partir para o mercado. Mas, com o Brasileirão, é necessário um esforço surreal para fazer o básico; a competição não tem um formato comercial mínimo, uma estrutura que cuide do torneio como produto.

O Brasileirão não tem site oficial, redes sociais e nem representante. Não tem um plano comercial definido, muito menos entregas básicas de mercado aos seus parceiros. Neste ano, anunciou medidas para valorizar e aumentar a credibilidade do torneio, algo louvável, mas que está tão abaixo do obrigatório que se torna pouco eficaz.

Ninguém espera que a CBF faça milagre com o torneio, que invente a roda e o transforme na NFL do sul a curto prazo. Mas o básico é necessário para atrair o mercado ao futebol. Algumas categorias de patrocínios, com ativações definidas, e entregas fundamentais, entre ingressos e eventos. Nada de outro mundo, apenas o básico do básico de qualquer liga ou campeonato de qualquer modalidade pelo mundo.

Muito se falou nos últimos anos sobre a criação de uma liga independente para gerir o Campeonato Brasileiro, mas em teoria isso não é uma necessidade. A Liga dos Campeões é da Uefa, e ninguém afirma que o torneio é mal gerido. O Brasileirão pode perfeitamente ser da CBF, mas a entidade precisa urgentemente definir se quer fazer isso direito ou se quer vender placas de publicidade por migalhas.


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