Impensável há dez anos. Foi com essa frase que um dos palestrantes definiu a Brasil Futebol Expo, que começou nesta quarta-feira (4), em São Paulo. Pode parecer excessivamente otimista, mas não é. A iniciativa da CBF, que tanto sofreu em décadas anteriores com más gestões, mostra um pouquinho do quanto o mercado esportivo brasileiro cresceu, mesmo em um período difícil para a economia do país.

Essa não é apenas uma impressão. Se forem considerados, por exemplo, os quatro grandes clubes de São Paulo, o aumento no faturamento foi de 70%, segundo dados divulgados pela EY em abril deste ano. As equipes recebem quase R$ 2 bilhões anualmente, em uma clara demonstração de robustez que o futebol alcançou.

Na Expo, é possível ver o porquê dessa evolução. Há, por exemplo, estandes de clubes para divulgar seus programas de sócio-torcedor. Há dez anos, essa modalidade estava restrita a pouquíssimas equipes, como Internacional e São Paulo. Hoje, ela é praticamente obrigatória no futebol.

Nos corredores do evento, também há ativações de patrocinadores da CBF, como Fiat, Semp TCL e Cimed. Mesmo em um período de crescimento pré-Copa do Mundo, em 2009 era difícil pensar em planos de ativação para além da publicidade. Isso, claro, sem considerar a possibilidade de a confederação se preocupar em dar novas propriedades aos parceiros.

A CBF, por sinal, mostra cada vez mais uma preocupação em se desgarrar da velha imagem. Há exatos 10 anos, Ricardo Teixeira completava 30 anos no comando da entidade, em um modelo de gestão então comum entre confederações, mas cada vez mais cravado no passado. A realização da Expo é uma preocupação inédita do órgão que comanda o futebol em se mostrar inserido na modernidade para os seus pares, algo alinhado com o plano de governança aplicado na administração atual.

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Não significa, de modo algum, que o futebol brasileiro tenha atingido o patamar ideal de gestão, que não existam falhas administrativas ou desvios do que seria uma rota de democratização da confederação. Certamente, a CBF ainda será alvo de muitas críticas neste espaço e na imprensa em geral, algo natural em qualquer setor.

Mas é importante ressaltar a frase dita por alguém do mercado em um evento como esse. A Expo era, sim, impensável há dez anos. E a realização dela, assim como muitos outros avanços no esporte, deve ser celebrada e colocada como combustível para todos que trabalham e lutam pela evolução do esporte no Brasil.


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