Se bem administrado, um clube de futebol pode se tornar uma fonte inesgotável de geração de negócios paralelos que ajudam a crescer a fatia do bolo. O negócio do Bahia com o Vitória da Conquista para produzir os uniformes da equipe rival para a disputa da temporada é só mais um exemplo disso.

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O que o Bahia fez foi mostrar ao mercado brasileiro que, quando há interesse no negócio, somos capazes de ter resultados fabulosos. A criação da marca própria para clubes de pequeno e médio porte já era um avanço nesse sentido. Não por acaso, são os times de fora do eixo Rio-SP-Minas-RS que mais se beneficiam desse modelo.

Por necessidade, os clubes menores assumem a capacidade de empreender para encontrar essa solução e fazer dela um bom negócio. Agora, porém, o Bahia mostra outro lado dessa história. O empreendedor pode encontrar, também, novas fontes de receita dentro do que ele tem de capacidade de produção. Em vez de ter uma equipe para gerenciar uma marca com uma gama baixa de produtos, o Bahia entendeu que é possível usar sua equipe para trabalhar para gerar mais receita. Com outro time!

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A estratégia tem tudo para funcionar e se transformar num case similar ao que o Benfica conseguiu, anos atrás, no mercado de Portugal. Na ocasião, o clube decidiu não apenas ter o próprio canal de TV mas também fazer dele o detentor de direitos de transmissão de diversas competições, como a Champions League e o Brasileirão. O canal ganhou assinantes e passou a ser uma fonte de receita para além do próprio Benfica.

Historicamente, o futebol sempre terceirizou diversas funções que uma grande empresa costuma ter internamente. Isso sempre foi um fenômeno mundial. Com a preocupação em dar o foco ao que é o centro do negócio, que é a performance esportiva, os clubes sempre preferiram entregar a terceiros funções administrativas.

Em 1991, o Manchester United revolucionou esse conceito, assumindo para si a gestão do licenciamento de seus produtos. Em vez de entregar a função a uma empresa, o clube inglês contratou e treinou funcionários para comandar tudo internamente. Isso fez não só a receita do clube saltar mas também a promoção de sua marca alcançar um novo patamar. Foi o início da globalização das grandes marcas do futebol europeu.

O Bahia, adequando-se à realidade do futebol no Brasil, pode ter dado um passo tão importante quanto o do Manchester nos anos 90 na Inglaterra. Para isso, o clube só precisa seguir uma velha máxima: para ganhar dinheiro, é preciso muito trabalho.


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