Os governos de São Paulo e Rio de Janeiro insistem em dizer que Pacaembu e Maracanã são bons negócios para a iniciativa privada. Talvez até sejam, mas o discurso oficial ignora as enormes dificuldades que existem em gestão de arena no Brasil. Para quem quiser ter uma boa ideia do tamanho do desafio, basta olhar para os dois estádios de São Paulo, a cidade mais rica do país.

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Allianz Parque e Arena Corinthians têm propostas diferentes, com vantagens e desvantagens peculiares. Em comum, o fato de que, como arenas esportivas, sofrem bastante num mercado ainda novo no Brasil.

O estádio do Palmeiras é um caso curioso. Como arena multiuso, ela é, sem dúvida, um grande sucesso. Como estádio esportivo, isso é bem questionável. Mesmo com mais de 30 mil pessoas de média, com calendário cheio e tíquete médio bastante alto para a realidade brasileira, o local depende muito de atrações que não são o futebol. A WTorre fala abertamente que os shows são o grande atrativo para a maioria dos compradores dos camarotes e até para a venda dos naming rights.

A situação cria uma saia-justa com o Palmeiras, que por vezes tem que jogar fora de seu estádio para a realização de algum show, situação surreal nos principais mercados esportivos do mundo.

Em Itaquera, todo o modelo é voltado para o futebol, que também conta com média de público e tíquete médio altos. O modelo de gestão, no entanto, tem sofrido demais. A venda de camarotes é fraca, e os naming rights e sector rights nunca estiveram pertos de serem assinados.

Somente mais recentemente, cinco anos após a abertura da arena, o Corinthians consegue com mais força levantar receitas que vão além da bilheteria, com o aluguel de cadeiras VIP e com a venda de placas publicitárias. Pouco para arcar com a arena.

Em ambos os casos, há fatores raros no futebol brasileiro, com taxa de ocupação satisfatória e ingressos com valores altos. Além disso, os estádios contam com estrutura acima da média, com atrativos distintos e únicos para a capital paulista.

Especialmente no Maracanã, pode ser que uma empresa tenha sucesso na gestão. Mas assumir essa responsabilidade é algo bastante complexo; os cenários econômico e esportivo não ajudam muito. O mercado brasileiro ainda conhece muito pouco as vantagens e os meios de lucrar com um investimento em arena, algo que dificulta todo o processo de licitação. E o fracasso da Odebrecht no Maracanã deixou isso bem claro.


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