Encurralado e isolado politicamente após denúncia de cobrança de propina feita pelo ex-vice-presidente Ataíde Gil Guerreiro, Carlos Miguel Aidar decidiu deixar a presidência do São Paulo.
A renúncia será confirmada na noite de hoje, em reunião com o conselho do clube, que então convocará novas eleições para a presidência, em até 30 dias.
 
A saída de Aidar poderá gerar uma devassa sobre os negócios feitos pelo São Paulo no último ano, quando ele esteve à frente do clube. Além de um pente fino sobre negociações de jogadores, o contrato de fornecimento de material esportivo com a Under Armour deverá passar por análise.
 
Na última semana, Gil Guerreiro mostrou alguns documentos ao conselho do São Paulo mostrando que a Under Armour teria feito um acordo para pagar R$ 6 milhões, em parcelas semestrais de R$ 500 mil, à empresa TML Foco, de propriedade de Cinira Maturana, namorada do presidente.
 
A denúncia gera nova crise em relação ao contrato de material esportivo firmado pelo clube. 
Em dezembro de 2014, a Máquina do Esporte revelou que o São Paulo chegou a fechar com a Puma, mas o acordo foi desfeito por divergências em relação a um pagamento de comissão a Cinira. A própria fabricante afirmou que se recusou a pagar pela comissão, alegando que não ocorrera qualquer intermediação no acordo.
 
Meses depois, o São Paulo anunciou acordo com a Under Armour, que substituiu a Penalty após o término do Paulistão. Além da polêmica da comissão a Cinira, o acordo com a Under Armour sofre questionamento por uma comissão de R$ 18 milhões que ainda não foi paga para a empresa Far East, de Hong Kong, que teria intermediado o negócio.
 
Em e-mail, Ataíde Gil Guerreiro disse ter gravação de Aidar confirmando que o negócio teria sido feito por Douglas Schwartzmann, vice-presidente de marketing, e que seria um meio de o dirigente receber propina pelo contrato.
 
Todas as partes não se pronunciaram sobre as acusações feitas por Guerreiro até o momento.

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