Com estrelas, PCdoB aposta em esporte
PRISCILA BERTOZZI
Da Máquina do Esporte, em São Paulo
Aos 29 anos, a bandeirinha Ana Paula Oliveira anunciou que pretende aproveitar a popularidade conseguida fora dos gramados para ingressar na política. Para dar prosseguimento à nova carreira, a assistente - que defende a massificação do esporte nas escolas públicas - filiou-se ao Partido Comunista do Brasil (PCdoB), em São Paulo.
Assim como a musa da arbitragem brasileira, outros representantes do esporte se tornaram o trunfo do partido para as eleições municipais deste ano, que serão realizadas em outubro. Além de Ana Paula, os ex-jogadores Wladimir e Basílio, o mesa-tenista Hugo Hoyama, a ex-atacante Maycon Jackson e a ex-atleta Conceição Geremias irão vestir a camisa da legenda.
Segundo o secretário de comunicação do PCdoB, Rovílson Brito, a estratégia de "usar" atletas para atrair votos é antiga, principalmente porque esses personagens agregam valores como saúde e credibilidade à filosofia do partido. Ele, no entanto, ressalta que o esporte está enraizado às bases da entidade.
"Por meio da filiação desses atletas, o partido desempenha um papel condizente com a sua visão da sociedade", afirma Brito, lembrando que o ministro do Esporte, Orlando Silva Jr., é do PCdoB.
"Nós temos tradição, seriedade e consistência na área esportiva. Desenvolvemos vários trabalhos de inclusão social por meio do esporte e, por isso, é natural que haja esse desdobramento", completa o político. A presidente estadual do partido é Nádia Campeão, ex-secretária de esportes de São Paulo.
Em 2004, curiosamente, o único vereador eleito pelo partido em São Paulo foi o ídolo palmeirense Ademir da Guia, que obteve 27.541 votos. Dois meses depois, ele foi para o Partido da República (PR).
Além de Ademir, o ex-judoca Aurélio Miguel (PL-SP), campeão olímpico nos Jogos de Barcelona, em 1992, ficou com uma das cadeiras da Câmara Municipal, com 38.491 votos. A mesma sorte não teve o ex-jogador de vôlei Pampa, candidato pelo PT-SP.
A incursão de atletas no meio político tem se intensificado nos últimos anos. Em 1998, o ex-jogador de basquete Oscar Schimidt concorreu a uma vaga no Senado, sem sucesso, pelo Partido Progressista Brasileiro (PPB). Já o ex-corintiano Biro-Biro elegeu-se vereador em São Paulo em 1989.
No Rio de Janeiro, o caso mais famoso é o de Roberto Dinamite. Em 1992, o ex-atacante do Vasco e da seleção brasileira foi eleito vereador pelo PSDB, com 34.893 votos. Nos quatro pleitos seguintes foi eleito deputado estadual, somando mais de 200 mil votos.