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TERÇA-FEIRA, 30 DE JUNHO DE 2009 - 09h57
 
Fla olímpico pode ter "modelo do Real"

GUSTAVO FRANCESCHINI
Da Máquina do Esporte, em São Paulo

Quando João Henrique Areias assumiu a vice-presidência de esportes olímpicos do Flamengo, em janeiro de 2009, programou para abril o fim de sua passagem pelo cargo. A saída foi protelada por acertos com patrocinadores, mas nem o título do Novo Basquete Brasil (NBB), conquistado no último domingo, impediu que ela acontecesse. Antes de entregar o posto e ser substituído por Marcos Braz, porém, o dirigente apresentou ao clube um plano de reformulação para seu setor a partir de conceitos do Real Madrid de Florentino Pérez.

A base da proposta de Areias é uma reformulação no modelo de gestão do esporte olímpico no Flamengo para que essa área do clube passe a ser sustentável. Para isso, ele projetou uma redução de custos e uma mudança radical no organograma do setor.

"Apresentamos uma sugestão à diretoria, e cabe a eles ver se querem implantar ou não. É um modelo parecido com o do Real Madrid, que divide a gestão em dois níveis. Tem o estratégico e o operacional, e só o estratégico é feito com dirigentes voluntários", explicou o ex-dirigente rubro-negro.

Nesse cenário, a gestão do esporte olímpico no Flamengo seria conduzida por 11 dirigentes voluntários e quatro funcionários do clube. Além de patrocínios, o clube desenvolveria um projeto de escolinhas similar ao que é mantido pelo futebol e faria uma série de ações de marketing específicas, como a criação de um circuito de corridas e a venda de produtos oficiais (neste ano, o basquete conseguiu saldar 48% de sua folha de pagamento com uma arrecadação de R$ 101 mil oriunda da comercialização de uma linha de camisetas).

Toda essa estrutura seria gerada pelo Instituto Fla Olímpico, que gradativamente absorveria os funcionários do clube para funcionar como uma instituição com grande autonomia. Esse ponto, contudo, ainda não é certo. Como dependeria de aprovação da diretoria rubro-negra, Areias também apresentou um projeto de mudança na gestão sem precisar criar essa estrutura.

O planejamento apresentado por Areias ao Flamengo fez até sugestões de pessoas que poderiam ocupar cargos diretivos em caso de o Instituto Fla Olímpico ser ratificado. Ele projetou a criação de um conselho consultivo com representantes de sete modalidades, como Ary Vidal (basquete), Luisa Parente (ginástica), Mariana Brochado (natação), Fernanda Monteiro (nado sincronizado), Ricardo de Oliveira Campos (judô), Tande, Nalbert ou Isabel (vôlei) e Roberto Voss ou Fernando Carsalade (pólo aquático). Haveria também um conselho fiscal, que o dirigente pensou em criar com Cláudio Pracovnick (Ágora), Dov Kamenetz (Dover), Walter Matos (Lance!), José Roberto Marinho (Globo), Marcos Faver e Siro Darlan.

A criação da estrutura proposta por Areias depende de um aval da diretoria do Flamengo. O ex-dirigente incluiu seu nome no planejamento, e pode até retornar ao clube para participar desse projeto. Contudo, um entrevero relacionado à decisão da NBB pode minar essa volta.

"Pode acontecer [o retorno à diretoria], embora tenha acontecido um incidente na decisão que foi a entrega da taça. O Márcio [Braga, presidente do clube] chamou a Patrícia [Amorim, antecessora de Areias] e criou uma confusão na imprensa. Ela deixou o cargo, até se queixando do Márcio, e ele a chamou na hora de receber a taça com o Marcelinho. Eu na hora não liguei, mas depois o narrador a chamou de diretora-geral de esportes olímpicos. Isso criou certa confusão até de gente me ligar para perguntar se eu tinha saído do Flamengo. E tudo foi provocado pelo próprio presidente. Eu ia sair no meio da semana, mas resolvi antecipar para segunda mesmo", contou Areias.





       
 
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