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Thiago Scuro
Formado em Ciência do Esporte, Thiago Scuro é o gerente geral do projeto de futebol do Grupo Pão de Açúcar

A gestão de pessoas para os atletas

O tema gestão de pessoas é largamente abordado e discutido no cenário coorporativo. Alvo de grandes líderes mundiais, o assunto é de grande abrangência e complexidade. É evidente que em apenas algumas linhas não conseguiríamos abordar todo o conteúdo desse tema. E muito menos relacioná-lo ao mercado de formação de atletas. Mas vamos analisar algumas etapas desse processo.

A gestão de pessoas trata de recrutamento, treinamento, desenvolvimento de plano de carreira, políticas internas, entre outros temas. Uma série de assuntos que estão presentes no meio esportivo, muitas vezes de forma desorganizada e inconsciente, mas que existem no dia-a-dia do esporte. Para aprofundarmos a discussão, vamos abordar a MOTIVAÇÃO, e adaptá-la ao atual cenário da formação de atletas de futebol no Brasil.

A motivação é um dos temas da gestão de pessoas com grande atuação no esporte, sendo que através da mídia ficou evidenciada no futebol. Mas de que forma?

O futebol proporciona diversos micro-objetivos em curto prazo a serem trabalhados. Pode ser numa decisão de campeonato, no dia-a-dia das competições de pontos corridos, em fases de mata-mata, entre outras situações, em que a motivação é fator fundamental a ser trabalhado para obter bons resultados. Dessa forma a atuação do psicólogo ganhou notoriedade e espaço no futebol brasileiro.

Mas quando falamos de formação de atletas, abordamos um processo plurianual, com etapas e objetivos macro. Ou seja, o grande papel da formação de atletas não é vencer o campeonato da temporada, não é vencer uma fase de mata-mata, mas formar profissionais vencedores, homens bem estruturados para serem ídolos, com bons valores e caráter.

A grande falha desse processo na formação de atletas está na motivação apoiada apenas no “ganhar dinheiro”. Sempre nos deparamos com exemplos, como na edição da revista “Veja” do dia 8 de maio, em que inúmeros jovens em formação relatam que seu objetivo é vencer na profissão pelo retorno financeiro que ela proporciona.

Esse comportamento é extremamente incentivado na formação do atleta, em que ele deve se dedicar para dar uma casa à mãe e passar por sacrifícios para melhorar a condição de sua família. Mas onde estão os objetivos intangíveis, onde estão os valores de ser bem sucedido na profissão, onde está a construção de um plano de carreira?

O que vemos é que a construção do jovem atleta é baseada num único objetivo, que é o retorno financeiro.

Segundo o Professor Joel Dutra, uma das referências brasileiras em gestão de pessoas: “Uma pessoa motivada tem seu comportamento lastreado por um conjunto de competências que compreendem iniciativa, determinação, comprometimento, independência e autoconfiança. São pessoas que criam seu próprio futuro, dão pouca importância à sorte e que cultivam com maestria uma característica peculiar: o brilho no olhar”. Fica claro que a relação com o dinheiro não deve ser o fator determinante.

Vale lembrar o comportamento de Kaká, que aos 18 anos traçou uma lista de 10 metas para sua carreira. Nela, nenhum dos itens era “ficar milionário”. Eles sempre se referiam a conquistas profissionais, sendo o dinheiro uma consequência dessas ações.

Podemos ter jovens atletas com fama, milionários, reconhecidos mundialmente, com ótimos contratos em grandes equipes, potencial técnico e físico excelente, mas com a falta de algo a conquistar, sem motivação e desejo de seguir trabalhando forte. Sem o espírito de grandes esportistas como Ayrton Senna, Michael Schumacher, Tiger Woods, Michael Jordan, Kaká, Beckham, que mesmo depois de muito dinheiro, ainda tem motivação e objetivos a conquistar.

Vamos construir as carreiras de jovens atletas e não somente novos milionários, desestruturados para as consequências do sucesso na carreira.



     
 
 
O mercado de formação de atletas

 

Erich Beting
Mauricio Fragata
Pedro Pires
  

 
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