Idealizador da Máquina do Esporte, é também comentarista do canal de TV BandSports e professor e palestrante em cursos de marketing esportivo
Problema de imagem
Robinho rompeu com Wagner Ribeiro. A notícia não ocupou muito espaço na mídia nesta última semana de setembro. Mas deveria ter gerado uma discussão gigantesca na maneira como gerenciamos a carreira de nossos atletas.
O rompimento de Robinho com Ribeiro tem tudo a ver com a conturbada saída do jogador do sempre candidato a título Real Madrid para o sempre figurante Manchester City. Robinho já é titular da seleção brasileira e até um dos protagonistas do time. Robinho já tem salário milionário no time de Madri. Robinho é uma figura querida pela torcida do Real. Robinho também é quase sempre titular no maior campeão da Europa. Então para que mudar?
Pelo visto foi a simples especulação de que Cristiano Ronaldo estava com um pé fora do Old Trafford e o outro quase dentro do Santiago Bernabéu que fez o sinal de alerta em Wagner Ribeiro acender. Mas será mesmo que bateu o desespero de ver Robinho ser coadjuvante no time para o qual foi contratado em 2005 exatamente para desempenhar essa função numa equipe que já tinha Zidane, Ronaldo, Roberto Carlos, Raúl e Beckham?
A pressão de Ribeiro para a transferência fez de novo com que Robinho desse uma de menino mimado. Quando voltou da seleção com o título da Copa das Confederações, em 2005, Robinho estava impregnado (pelos colegas de time nacional e por Ribeiro) da vontade de ir para a Europa.
Só que Robinho não soube agir com o time que o levou à mesma seleção. Parou de treinar e teve de engolir uma volta por baixo para não ser demitido por justa causa após 29 dias sem treinar. Só depois de mais de um mês de negociação que Robinho fechou com o Real. À época, muito se falou da interferência de Wagner Ribeiro no negócio. Mas não dava para se discutir que havia um salto de projeção programado para Robinho no Real Madrid.
Agora, porém, a situação é outra. Robinho tem imagem consolidada na Europa. Sua fama lhe rende milhões. Só falta a seleção engrenar dentro de campo para que tudo volte a ser como antes, com fama, dinheiro e vitórias para deixar todo mundo feliz. Só que a sombra de Cristiano Ronaldo fez ruir esse projeto.
Robinho forçou, assim como tinha feito com o Santos, sua saída do Santiago Bernabéu. Esperneou, disse que não aceitava ser impedido de jogar as Olimpíadas, reclamou até mesmo do relacionamento que tinha em Madri. Tudo para forçar a ida para outro lugar, onde um português bom de bola não tiraria o brilho do brasileiro com potencial para ser o craque decisivo que foi Cristiano Ronaldo em 2008.
Só que Robinho foi cair justamente em Manchester. E no time errado! O Manchester City tem tanta tradição quanto uma Ponte Preta, que sempre figura entre os melhores, mas nunca conseguiu um título expressivo!
Agora, turbinado pelos trilhões de dólares dos Emirados Árabes de seu novo dono, o City quer incomodar. E Robinho está nos planos megalomaníacos do clube. A grana é alta, mas o clube ainda precisa de muito mais planejamento e gestão para chegar onde pretende.
Pode até ser que, daqui a cinco anos, Robinho vire o protagonista dessa história. Mas seria muito mais eficiente para a sua imagem ter continuado a jogar no Santiago Bernabéu. A começar pelo estilo de jogo mais livre da Espanha. A terminar pela diferença de tamanho entre os dois clubes em questão.
Mais uma vez a dupla Robinho-Ribeiro joga por terra um relacionamento harmonioso com um clube e uma torcida em troca de um punhado a mais de dinheiro. Talvez tenha sido por isso que Robinho desistiu de Ribeiro, assim como Kaká fez ao trocar o São Paulo pelo Milan, em 2003, também de maneira conflituosa.
Mas Kaká segue no topo, com contratos milionários e uma imagem praticamente inabalada. Robinho, por sua vez, terá de trabalhar para recuperar o prestígio perdido em mais uma malfadada transferência. Resta saber quem vai cuidar de sua imagem...