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Erich Beting
Idealizador da Máquina do Esporte, é também comentarista do canal de TV BandSports e professor e palestrante em cursos de marketing esportivo

Começo avassalador

O mês de julho começou avassalador para a história do futebol brasileiro. Principalmente naquilo que diz respeito à organização do futebol como negócio.

Na terça-feira, dia 1º, Roberto Dinamite teve seu primeiro dia de trabalho como presidente do Vasco. Talvez seja um dos primeiros ex-jogadores que tenha sido um dos maiores ídolos do passado a ser elevado ao posto de presidente do clube. Após anos a fio de disputa com Eurico Miranda, finalmente Dinamite pôde assumir o posto tão desejado.

Ainda é cedo para dizer no que resultará a gestão de Dinamite. Falhas sempre ocorrem, acertos também. O fato é que a alternância de poder já indica um novo e belo caminho para o Vasco, time que tem a quinta maior torcida do país e que ficou, na última década, praticamente parado no tempo, sem conseguir transformar grandeza em dinheiro.

Sim, é verdade que no último ano a coisa melhorou, com a estruturação de um departamento de marketing e a celebração de acordos inéditos com Reebok, Habib’s e, mais recentemente, MRV, voltando a estampar uma marca na camisa vascaína após seis anos.

Mas agora, com Roberto e sem Eurico, a chance de uma guinada nos negócios do Vasco é uma realidade. O primeiro passo bem dado foi a manutenção da estrutura de marketing já montada. Afinal, por mais que deva existir alternância de poder na alta cúpula de um clube, o dia-a-dia da instituição só sofre com mudanças constantes.

Outra prova de que os tempos são outros foram as presenças de flamenguistas ilustres, como Márcio Braga, presidente rubro-negro, e Junior, ex-lateral do time rival, que deram seu apoio para o novo comandante da nau vascaína. Nomes de peso, figuras que mostram novos ares em São Januário.

Em meio à euforia da vitória de Dinamite seguia-se outra comemoração tão valiosa quanto e que pode significar a entrada do futebol brasileiro numa nova era de gerenciamento e geração de receitas. Em São Paulo, o conselho do Palmeiras deu o aval e, no dia 1º, foi assinado o contrato entre clube e a WTorre para a construção da Arena Palestra Itália.

O novo estádio palmeirense, a primeira moderna arena esportiva com capacidade para mais de 40 mil pessoas, deve ficar pronta em dezembro de 2010. A partir daí, a WTorre vai gerenciar o espaço, e o clube ficará com parte da receita.

A idéia é ter no estádio o centro de ampliação das receitas do clube, tal e qual aconteceram com as novas praças esportivas na Inglaterra e Alemanha na última década. O custo de quase R$ 300 milhões será coberto pela empresa de engenharia. O Palmeiras “deixará” de ter propriedade sobre o estádio durante 30 anos. Mas terá receita proporcional.

Não é o melhor dos mundos, já que a maior bolada com a gestão ficará com a empresa. Mas também é um tremendo avanço na gestão do esporte no país, já que haverá naturalmente uma qualificação no público presente aos eventos e, possivelmente, a geração de mais dinheiro para a manutenção de melhores equipes dentro de campo.

É o início do processo de bola de neve que fez o futebol inglês se tornar o mais rico e estrelado do mundo. Pode ser o começo de uma nova era no futebol brasileiro, com estádios que fazem do torcedor um consumidor em potencial, gerando para os clubes receita suficiente para crescer.

Julho começou avassalador. E que o rolo compressor de transformações continue para os próximos meses e anos. Quem ganha é a indústria do esporte.



     
 
 
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Mauricio Fragata
Pedro Pires
  

 
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