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Pedro Pires
Pedro Pires integra a equipe da J. Cocco Sports Marketing e coordena o Curso de Gestão do Esporte e da Pós-Graduação da Faculdade Trevisan

Olimpíadas x Política

Neste final de semana, vi as imagens da Tocha Olímpica em Londres e em Paris, ameaçada por radicais, que em protesto pela situação política entre China e Tibete, tentaram apagá-la, ou mesmo derrubá-las das mãos dos atletas selecionados para transportá-la nesses países e outros tantos pelo mundo afora.

Fico imaginando se não há aí um ranço prepotente das velhas ditaduras; e até o mesmo modelo criticado pelos manifestantes utilizado pela China e por eles adotado.

Democracia não é a vontade da maioria? Democracia não é a liberdade de expressão? Democracia não é a liberdade de ir e vir? De professar qualquer credo ou religião? Então essa intolerância apresentada na Europa é fruto direto da intolerância da China para com o Tibete. Força contra força. E quando isso levou a algum lugar?

A China, como qualquer outro país, lançou sua candidatura para sediar as Olimpíadas faz muito tempo. Como as demais postulantes, apresentou um projeto, que foi minuciosamente analisado por dirigentes que representam o mundo esportivo. A imprensa deu todo o destaque para cada um dos países candidatos e fez todas as especulações possíveis caso a escolhida fosse essa ou aquela cidade.

A vencedora, dentro do que se presumem critérios democráticos, éticos e profissionais, foi anunciada e, de imediato, passou a providenciar as demandas do caderno de encargos, que acabara de assumir. Investiram uma fortuna em instalações, desapropriações, melhorias, treinamentos, educação e instrução para seu povo, já que os chineses estavam fechados ao mundo há muito tempo.

Politizar um evento esportivo do porte de uma Olimpíada é no mínimo burrice, para não falar em insanidade. Sim, porque nesses últimos quatro anos, bilhões foram investidos no treinamento e aprimoramento técnico dos atletas candidatos a uma vaga em todos os países.

Esses gastos foram feitos em instalações, viagens, tecnologia, em tudo o que pudesse dar um milésimo de vantagem, um ponto extra, um milímetro a mais, para coroar não só o atleta vencedor, mas um país investidor na boa educação esportiva e, conseqüentemente, em cidadãos mais conscientes, mais preparados para um futuro não tão distante.

Esses políticos de ocasião e grupos autodenominados radicais defensores dos direitos humanos não têm um mínimo de cultura, de conhecimento das raízes olímpicas. Será que eles não sabem que as Olimpíadas suspendiam todos os conflitos e pendências políticas para, em um curto período de esforço comum, apresentarem suas forças, não com armas, mas com habilidade, suor e esforço?

Não importa se a China está em litígio com o Tibete. Não importa nada que não sejam os Jogos. Gregos e o Barão Pierre de Cobertin entendiam claramente o propósito da competição.

Nossa sociedade "moderna e avançada" só pensa em vencer, derrotar o inimigo. Nem que para isso se utilize das mesmas armas dos "inimigos da democracia e dos direitos humanos": a violência!



     
 
 

 


Erich Beting
Mauricio Fragata
  

 
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