A Petrobrás tem novidades para o esporte em 2014. A empresa passou a fornecer combustíveis para a equipe Williams e ter uma parceria técnica com ela na Fórmula 1. Na 16ª edição da Seletiva de Kart Petrobras, maior competição de automobilismo de base no Brasil, além dos prêmios em dinheiro para o campeão, melhor estreante e melhor mecânico, decidiu que os quatro primeiros colocados vão receber orientações especiais para a sequência da carreira no esporte.

Em entrevista à Máquina do Esporte, o gerente de patrocínios esportivos da Petrobras, Claudio Thompson, comentou sobre os investimentos da empresa no esporte brasileiro, contou os principais objetivos da organização com o automobilismo no país e também explicou como a Petrobrás pretende explorar a nova parceria com a Williams.

Máquina do Esporte: Existe algum plano da Petrobras para a categoria de base do automobilismo no Brasil?
Claudio Thompson: Não cabe à Petrobras organizar o automobilismo brasileiro e nem é papel da empresa. O que a gente faz é tentar apoiar com o que existe de organizações de competições automobilísticas. O kart é o berço do automobilismo. Então a gente tem um projeto que foi criado há 16 anos, e ele tem dado certo. Pelo menos a gente tem dado um apoio aos jovens pilotos. O que a gente observou, até conversando com os antigos pilotos da categoria, é que faz falta um amadurecimento deles e uma melhor visão do que eles vão encontrar lá fora. E por isso que a gente está mudando o formato, para pelo menos tentar apoiar a base quando eles estão iniciando no automobilismo. Agora, esse ato que existe de eles saírem do kart e irem para a Europa, ou não ter uma categoria no Brasil que possa suprir esse ato, isso não depende da Petrobras. Quer dizer, se tiver alguma coisa bem feita a gente vai tentar estar junto, estar sempre em todos os segmentos do automobilismo. Mas isso não depende da Petrobras.

Máquina do Esporte: Por que não há um apoio maior das entidades que trabalham com automobilismo no Brasil?
Claudio Thompson: É difícil dizer. Como eu falei, não é especialidade da Petrobras organizar competições automobilísticas, saber como está a política. O que a gente vê é o que ocorre. O que talvez esteja acontecendo, como em qualquer modalidade no Brasil, é que falta um ídolo hoje no automobilismo brasileiro. Há muito tempo o Brasil não tem um campeão e talvez por isso tenha caído o interesse não só de novos pilotos, como também da própria televisão, que é isso que acontece. Você tinha o tênis com o Guga e tinha um tipo de audiência, e hoje você tem outro. Você tinha a ginástica na época da Daiane e agora e hoje você tem outra. O Brasil, principalmente o torcedor brasileiro, precisa de um ídolo. E no automobilismo hoje isso está faltando. E talvez seja essa a chave de voltar a ter um ídolo. Como é que isso vai ser feito e se pode ser feito, eu não sei. Não cabe à Petrobras.

Máquina do Esporte: O jeito como os novos pilotos lidam com os patrocinadores e com a mídia é um problema?
Claudio Thompson: Não. Eu nunca tive um grande problema. Você tem uma ou outra ação esporádica em que o piloto está com a cabeça em outro lugar e falta um preparo. Ele entra no carro, ele pilota, ele é bom. Mas faltou para ele na base um preparo de como ele deve se comportar não só em relação ao patrocinador, mas as próprias informações técnicas que ele tem que dar aos engenheiros da equipe. Então é isso que a gente está procurando nesse início, ver se a gente consegue colocar isso dentro do piloto para ele levar adiante na carreira dele.

Máquina do Esporte: Qual é o objetivo principal da Petrobras com o automobilismo?
Claudio Thompson: Na área de esporte motor o principal é justamente o teste de produtos: testar a gasolina, o lubrificante, as coisas que possam vir a ser úteis para o consumidor final. A gente tem um exemplo disso: a gasolina “Podium”, que é hoje a melhor gasolina, foi criada em função do aprendizado que a gente teve na Fórmula 1. A Fórmula 1 tem um regulamento de gasolina que obriga a gente a uma constante pesquisa. E com isso a gente descobriu novas correntes, novas maneiras de formular a gasolina, e com isso você traz benefício para o consumidor. O foco principal da Petrobras é usar as competições como laboratório de produtos.

Máquina do Esporte: É por isso que os outros patrocínios foram deixados um pouco de lado?
Claudio Thompson: A preferência é inerente à atividade da companhia. O nosso negócio é a gasolina, é o lubrificante. E ao você estar atuando no esporte motor, você está justamente atuando com o seu negócio. Agora, a gente não faz nenhuma distinção às outras modalidades em função disso. Com o futebol a gente está na Copa do Brasil, a gente não saiu do futebol. A gente fez um contrato de três anos com a Copa do Brasil, este é o último e já estamos analisando uma renovação. A gente está com seis confederações esportivas que é justamente para tentar ajudar o olimpismo brasileiro. Inclusive a gente pegou cinco modalidades dessas que não tinham patrocínio, e são competições individuais que trazem um grande número de medalhas. Então a gente está tentando apoiar todo esporte brasileiro. Agora, o esporte motor tem a ver com o nosso negócio.

Máquina do Esporte: Qual é a importância da mídia?
Claudio Thompson: Na Fórmula 1 e no automobilismo em si... É lógico que não é que a gente não queira mídia. A gente quer mídia. Só que você usando o nosso produto, você pode inclusive fazer publicidade do produto e não só aquela mídia espontânea, de visibilidade de marca. Já em um esporte sem ser motor, a mídia é importante. Mas só para entender um pouco a preocupação da Petrobras, a gente entrou em cinco modalidades que não têm audiência, que não tinham patrocínio. A gente quer que tenha mídia, lógico. Mas a gente quer ajudar o esporte brasileiro. A mídia vem de maneira espontânea. A gente havia 40 anos não ganhava medalha no box, e ganhamos três no ano passado. Isso em função de um trabalho que a gente começou em 2011 de dar mais treinamento, de dar uma bolsa para aqueles atletas, um auxílio médico. Esse é o nosso projeto com as modalidades olímpicas.

Máquina do Esporte: Vocês trabalham com a Lei de Incentivo ao Esporte?
Claudio Thompson: Hoje a gente não trabalha com Lei de Incentivo. Com nada.

Máquina do Esporte: Quais são os planos para a parceria com a Williams?
Claudio Thompson: Uma mídia mais forte e ações promocionais mais fortes em função da parceria com a Williams só devem existir, só devem vir mais forte, quando a gente já tiver o produto. Quando já estivermos usando o produto dentro da equipe.


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