O brasileiro Felipe Wu comemora a prata olímpica

O tiro esportivo quebrou neste sábado, primeiro dia oficial de competições do Rio 2016, o mais longo jejum do esporte olímpico brasileiro. Com a medalha de prata na pistola de ar 10 m, Felipe Wu recolocou o país no pódio olímpico da modalidade após uma ausência de 96 anos.

As primeiras medalhas conquistadas pelo Brasil no tiro esportivo tinham sido nos Jogos da Antuérpia 1920. Na ocasião, os atiradores nacionais subiram três vezes ao pódio, incluindo um ouro do tenente do exército Guilherme Paraense na pistola de tiro rápido 25 m.

Por coincidência, outro oficial das forças armadas recolocaria o Brasil no pódio olímpico. Durante a disputa no Centro Olímpico de Tiro, o quase centenário jejum de conquistas e a pressão por atuar em casa pareciam pouco abalar Felipe. Pareciam...

“Estou muito feliz. Não há palavras para descrever o que sinto. Trabalhamos muito duro para estar aqui. Estou com dor no ombro, dor nas costas. Mas a medalha vai me fazer esquecer essa dor”, festejou o atirador, que, longe de se desconcentrar, agradeceu o apoio da torcida.

“A torcida mandou uma energia muito boa e estou muito feliz com o apoio de todos.”

O brasileiro terminou o primeiro estágio da competição na liderança, com 62,5 pontos. Na segunda fase, quando a prova se torna eliminatória (o atirador que terminar uma rodada na última posição é eliminado), Wu caiu para a segunda posição, mas sem deixar o vietnamita Hoang Xuan Vinh disparar. Na última rodada, o brasileiro até diminuiu a diferença, mas foi insuficiente para retirar do Vietnã seu primeiro ouro olímpico.

“O atirador brasileiro foi muito rápido e forte, mas fiz minhas tentativas. No último tiro, não sabia se era ouro ou prata. Acho que somente tentei”, afirmou Hoang Xian Vinh.

“Essa medalha de ouro ficará na memória, nunca vou esquecer. Porque é a primeira vez que o Vietnã conquista”, acrescentou ele.

O brasileiro foi revelado justamente na primeira edição dos Jogos Olímpicos da Juventude, disputada em Cingapura, em 2010. Na ocasião, Wu ficou com a medalha de prata, aos 17 anos.

“Espero que essa medalha inspire o tiro esportivo a crescer no Brasil”, disse o atirador, que chegou a improvisar um stand de tiro no quintal de casa para poder treinar. 


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