A prisão de Carlos Arthur Nuzman na manhã de quinta-feira fez abrir um vácuo de poder praticamente inédito na história recente do esporte brasileiro.

Desde que assumiu a presidência da Confederação Brasileira de Vôlei em 1975, Nuzman passou a ganhar espaço no esporte brasileiro. Foi um dos artífices da entrada de patrocínio de empresas no vôlei e, depois, com a ascendência da seleção nacional da modalidade na década seguinte, sua influência e poder não parou de crescer. Assumiu o Comitê Olímpico do Brasil em 1995 e, em 2009, levou os Jogos Olímpicos ao Rio de Janeiro, em eleição que agora tem fortes evidências de fraude.

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Com a prisão do dirigente, pela primeira vez em décadas o esporte do país não tem um claro dono. Na noite de ontem, o COB anunciou que Paulo Wanderley Teixeira, ex-presidente da Confederação Brasileira de Judô e atual vice do COB, está no exercício da presidência. Pelo menos pelos próximos cinco dias é ele quem manda no esporte brasileiro, mas a considerar a reação dos dirigentes esportivos, ainda é cedo para pensar numa mudança tão drástica no comando do COB.

Após a prisão de Nuzman, "Globo.com" e Sportv foram atrás dos 29 presidentes de confederações. Apenas dois (badminton e tiro esportivo) falaram. Ambos defenderam o dirigente e lamentaram o dano à imagem do esporte que o caso acarreta.

Curiosamente, o pronunciamento mais duro foi feito pela comissão de atletas ligada ao COB, que apoiou as investigações feitas pela PF: "Não devemos fechar os olhos para o ilícito e é nosso dever como qualquer cidadão brasileiro, proteger e preservar o bom funcionamento do país", disse a comissão em nota.

Desde que o Rio foi eleito sede olímpica, em 2009, o COB já perdeu um pouco do poder que tinha sobre as confederações filiadas. Até a escolha, a entidade mantinha a concentração financeira do esporte nacional. Com a grande maioria dos patrocinadores com origem de empresas estatais, o COB mantinha influência sobre a distribuição de aportes pelas confederações, além do critério para dividir a verba das loterias, via Lei Piva.

A realização do Rio 2016, porém, permitiu a algumas confederações passar por um processo de profissionalização. Foi o caso, por exemplo, da Confederação Brasileira de Judô (de Paulo Wanderley) e da Confederação Brasileira de Rugby, que têm se cercado de diversas marcas do setor privado, com menor dependência de questões políticas que envolvem o esporte.

Os próximos dias podem ser decisivos para, à força da lei, o poder no esporte brasileiro começar a mudar de mãos.


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