Quando retornou ao Brasil em março do ano passado, a Kappa priorizou a distribuição dos produtos e o rápido crescimento dos pontos de venda. Hoje, são 1.500 pontos por todo o país. Gerenciada pela SPR, empresa especializada em licenciamentos esportivos, a marca italiana passou a investir em times menores, como América-RN e Audax.

Agora a Kappa está mais ambiciosa. Em entrevista exclusiva à Máquina do Esporte, o gerente nacional de vendas da SPR/Kappa, Jair Kaufmann, falou sobre os novos planos da marca italiana. A empresa pretende dobrar o número de pontos de venda até o ano que vem, investir mais no futebol e planeja voltar a ter parcerias com times grandes.

Máquina do Esporte: Como foi o licenciamento dos produtos Kappa no Brasil?
Jair Kaufmann: A licença se iniciou em 2013 com um contrato que vai até 2021, com uma flexibilidade grande para o mercado brasileiro atual. Nós temos uma marca que é globalizada, com projeção internacional e que nós temos a liberdade de adequar ao mercado brasileiro. A SPR já sendo uma grande especializada em confecção e na parte de distribuição através dos times, então a gente espera que consiga fazer um bom trabalho com uma marca no Brasil que tem toda essa expertise já adquirida pelo trabalho da SPR.

Máquina do Esporte: Como funciona a produção?
Jair Kaufmann: Boa parte da nossa produção é importada, com a flexibilidade de poder produzir internamente, adequando ao nosso mercado, com um preço mais competitivo conforme a nossa necessidade. Hoje, mais de 90% dos produtos são importados.

Máquina do Esporte: E quanta a metas?
Jair Kaufmann: Tudo depende do mercado. Dependendo de como estiver a moeda, as oportunidades, é que a gente vai poder atuar.

Máquina do Esporte: Vocês têm liberdade para criar produtos?
Jair Kaufmann: Nós temos todas as orientações da base de dados da matriz na Itália. E nós podemos sugerir produtos e adequar mercado brasileiro. Ou seja, nacionalizar o nosso produto, dar para ele a nossa cara. Mas com a aprovação deles. Temos alguns produtos que foram desenvolvidos especificamente para o Brasil. Um dos exemplos são as camisas Torcedores, com temáticas para a Copa do Mundo. Foi feito junto com o pessoal da Itália, mas especificamente para o Brasil.

Máquina do Esporte: Qual é a diferença do público brasileiro?
Jair Kaufmann: Os brasileiros gostam muito de produtos italianos e a Kappa sempre teve uma boa aceitação – principalmente na parte da confecção. Eu trabalhei na outra empresa que tinha a licença da marca e ela conseguiu logo disparar, em termos de números, comparando com marcas que já estavam bem antes no Brasil. Esse DNA italiano da marca tem boa aceitação no Brasil.

Máquina do Esporte: Qual é a vantagem da Kappa se comparada com as outras marcas do segmento?
Jair Kaufmann: É uma marca simpática ao público. Não é uma marca direcionada para um único esporte, que fica estigmatizada. Hoje, com uma camisa Kappa você está bem vestido em uma balada, um churrasco, ou se você vai usar um produto esportivo também. Ela não é como as outras marcas, que quando você olha pensa em uma chuteira ou calção para futebol. Ela é abrangente, o que é uma característica da marca fora do Brasil. Ela tem dois segmentos: o esportivo e o casual. E aqui nós trabalhamos desde o início com eles.

Máquina do Esporte: O que é maior: o esportivo ou o casual?
Jair Kaufmann: O mercado esportivo é muito abrangente. Se a gente falar no esporte como um todo, ele é um mercado muito grande. Mas se a gente falar como futebol, o casual é muito maior. E nós queremos estar nestes dois mundos. A gente é uma marca solta, e não inclinada somente para um esporte.

Máquina do Esporte: Como vocês têm trabalhado os pontos de venda?
Jair Kaufmann: Hoje, são 36 representantes a nível Brasil. Nós temos pessoas falando da marca, indo nos logistas e buscando mais pontos de venda. São mais de 1.500 pontos de venda já atuantes, e queremos dobrar isso aí até o próximo ano.

Máquina do Esporte: Por que a Kappa não deu certo nas outras vezes que esteve no Brasil?
Jair Kaufmann: No início, aconteceram alguns embates dentro do grupo Dass, empresa que gerenciava a marca, com as licenças com outras marcas que confrontavam esse mesmo mercado. O grupo Dass tinha a Umbro e tinha a Kappa atuando praticamente no mesmo mercado, no futebol, disputando clubes, patrocinando clubes. E isso segurava um pouco as ações e as tomadas de decisões do próprio grupo: o que prejudicava em uma ou avançava na outra. E em alguns momentos isso não foi positivo para a marca.

Máquina do Esporte: Vocês investiram R$ 10 mi na operação. Já obtiveram lucro?
Jair Kaufmann: Em um ano não dá para falar que nós já tivemos todo esse retorno. A gente não tem um tempo determinado para isso, mas a nossa busca é para conseguir o mais rápido possível. Mesmo com o mercado não tão favorável, nós temos conseguido com volumes bem expressivos, estamos satisfeitos com os números que temos conseguido com esse curto período.

Máquina do Esporte: Com a chegada da Copa do Mundo, como está o mercado de artigos esportivos?
Jair Kaufmann: Temos que ver também pelo lado político desse ano. Não tem nada favorável ao Brasil em termos de imprensa, financeiro, nada se fala a favor do Brasil. Isso faz com que todo mundo segure um pouco, e o lojista também está segurando. Ele comprou o produto e está aguardando para retomar as vendas. Hoje você não vê falar muita coisa em favor da Copa do Mundo. Nós estamos nas vésperas do evento e a mídia fala muito pouco a favor da Copa. Você assiste alguma coisa e é 90% falando alguma coisa negativa para 10% positiva. Isso segura também um pouco o consumidor para adquirir os produtos, para ir para a rua, para vestir a camisa. Eu acredito que isso aconteça agora mais no calor da Copa mesmo. Está todo mundo nessa expectativa de esperar que melhore.

Máquina do Esporte: Qual é o posicionamento da marca no mercado brasileiro?
Jair Kaufmann: Nós enxergamos como oportunidade para a Kappa se consolidar com a terceira ou quarta marca esportiva global, com a marca internacional que nós temos em mãos, para ocupar esse ranking. A gente tem a marca com um produto bacana, com um preço que a gente consegue ser bem competitivo. E fazendo um trabalho de mais dois ou três anos para nos consolidarmos como a terceira ou quarta marca nacional junto com as grandes marcas já consolidadas.

Máquina do Esporte: Qual é o próximo passo da marca?
Jair Kaufmann: O nosso grande salto hoje é a distribuição. A gente está com a equipe de vendas, produto, coleção. Nesse ano, nós não conseguimos uma coleção 100% para capitalizar o mercado esportivo, que é o nosso próximo trabalho. Nós temos a expectativa de uma coleção bem abrangente para 2015. Com uma coleção maior, automaticamente a gente ocupa um espaço maior nos pontos de venda.

Máquina do Esporte: Qual será a estratégia para o futebol?
Jair Kaufmann: Nosso foco de investimento sempre será o futebol. E vamos disputar qualquer abertura que tiver com outros clubes. Nós já temos clubes que estão se abrindo para nós, é todo feito um trabalho em conjunto: oferecemos materiais e também a parte de negócios. Com alguns times nós também oferecemos a parte comercial. Para a gente é importante não ser um simples fornecedor de material, mas sim parceiro dos clubes. Esse mercado do futebol flutua muito, e eu acredito que com o trabalho que a gente tem feito e com o contrato de 10 anos que nós temos hoje, poderemos trabalhar junto com os clubes nesse período de desenvolvimento da marca.

Máquina do Esporte: A Kappa pensa em retomar a parceria com o Vasco?
Jair Kaufmann: Todas as negociações são bem estratégicas. Eu não vou falar que nós não temos interesse, mas também não vou dizer que a gente não possa vir a patrocinar o Vasco. Com certeza a gente quer voltar as parcerias com um time grande e seria uma grande satisfação poder voltar para um clube no qual a gente já teve muito sucesso.


Entrevista Kappa Vasco Futebol Patrocínio