Champions Festival não tem nenhuma referência à Gazprom (Foto: Wagner Giannella)

A Gazprom não será patrocinadora da Liga dos Campeões durante a final do próximo sábado (26). Pelo menos, na prática. A empresa russa, que em fevereiro deste ano renovou com a UEFA para manter a parceria até a temporada 2020/2021, teve sua marca arrancada das comunicações do torneio em Kiev, capital da Ucrânia e palco da grande decisão entre Real Madrid e Liverpool.

O problema foi a baixa aceitação da população de Kiev em ver logotipos da Gazprom, a maior companhia da Rússia, espalhados pela cidade. Como em alguns lugares a imagem foi arrancada ou tapada, decidiu-se por retirar as referências da empresa nos eventos da Liga dos Campeões.

A Máquina do Esporte, que está em Kiev, procurou por qualquer referência à Gazprom no Champions Festival, sem sucesso. Até mesmo em cartazes no aeroporto, em que todos os patrocinadores aparecem, a companhia russa fica fora, como se não patrocinasse o torneio de fato.

À agência de notícia “Associated Press”, o representante de Kiev em negociações com a Uefa, Andriy Miroshnychenko, explicitou a repulsa dos moradores da cidade frente aos últimos entraves políticos com a Rússia. “Espero que ainda cheguemos a um entendimento completo da Uefa”, afirmou.

E o entendimento aconteceu. “Houve um mal-entendido em relação à visibilidade desse parceiro no Champions Festival. Isso agora foi esclarecido e nenhuma marca será visível”, afirmou a Uefa em comunicado.

A implicância de Kiev com uma marca que representa uma das maiores forças econômicas do país vizinho não é mera vaidade. Rússia e Ucrânia vivem um conflito armado em vigência, iniciado em 2014 quando o exército russo invadiu a Crimeia.

Moscou alega que há russos em repressão no leste ucraniano e que o país é culturalmente e historicamente próximo à Rússia. Até 1991, o território fazia parte da União Soviética, mas o pedido de independência aconteceu após a realização de um plebiscito. A disputa com a Rússia se manteve ao longo das últimas duas décadas e, pouco antes da invasão à Crimeia, o presidente Viktor Yanukovych foi deposto por se recusar a se aproximar da União Europeia.

A imagem da Gazprom na Ucrânia é ainda pior porque, durante a década de 2000, a Rússia fez cortes no fornecimento de gás ao país como forma de pressão aos protestos da chamada Revolução Laranja, consequência das comprovações de fraude nas eleições presidenciais de 2004.

A Gazprom é a maior exportadora de gás natural do mundo e, apesar de ter ações privatizadas, a companhia é controlada pelo governo russo.

*O reporter viajou a convite da Nissan


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