A tragédia do estádio da Fonte Nova, que vitimou sete pessoas no último mês de novembro após a queda de parte de um lance da arquibancada, revela a dificuldade da gestão dos estádios no Brasil. Administrado pelo estado baiano, a praça esportiva sucumbiu após uma série de insucessos de fechamento do estádio por falta de segurança. Para o ministro do Esporte, Orlando Silva Jr., o caso mostra que não é mais papel do estado ter de investir na infra-estrutura esportiva. Em palestra no 11º seminário do Lide, o Grupo de Líderes Empresariais, comandado por João Dória Jr., o ministro afirmou que é preciso rediscutir a gestão pública. Segundo ele, é necessário que estados e prefeituras repensem o modelo de gestão do esporte. "Nos últimos anos foi investido mais dinheiro na construção de quadras em creches e escolas do que em estádios. E é papel do governo investir nisso, em ampliar o acesso ao esporte. O que é preciso haver é uma arrumação da gestão pública. Os estádios hoje são deficitários, não é função do governo ou da prefeitura pagar sua manutenção", disse Silva Jr. Apesar da fala do ministro, o projeto do Brasil para abrigar a Copa do Mundo de 2014 prevê a utilização de poucos estádios pertencentes à iniciativa privada. Das 18 cidades candidatas a receber os jogos, apenas São Paulo, Porto Alegre, Florianópolis e Curitiba apresentam propostas que não prevêem o uso de dinheiro público para a infra-estrutura esportiva. Durante o seminário, o Lide fez uma pesquisa com os 186 empresários presentes ao evento. Do total, 54% afirmaram que não pretendem investir em obras para estádios tendo em vista o Mundial. Outros 27% disseram que talvez investiriam, enquanto 19% estão propensos a injetar dinheiro na infra-estrutura de estádios. Entre as empresas presentes estavam multinacionais como Nestlé e Coca-Cola, além de outras grandes empresas nacionais como Brasil Telecom, Banco Alfa, Amil e Golden Cross.


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