De 21 a 24 de maio, em São Paulo, será oferecido um curso de gestão e marketing esportivo para executivos, fruto da parceria entre a Auspex, agência brasileira de marketing esportivo, e a Quest, empresa portuguesa prestadora de serviços voltados para o esporte.

Os palestrantes serão Jorge Avancini, diretor de marketing do Internacional, Marcos Nóbrega Corrêa, diretor-executivo da Auspex, e ninguém menos que um renomado executivo português: Pedro Afra, ex-diretor-geral do Sporting, time de futebol de mesma nacionalidade.

“Trabalhei no clube por dez anos, de 2001 a 2011. Partilharei um pouco da minha experiência sobre o marketing esportivo europeu”, afirmou Afra, que atualmente exerce a profissão de consultor, em entrevista exclusiva à Máquina do Esporte.

Além de comentar sua participação no curso, analisou o trabalho do marketing das equipes europeias e o momento que o Brasil está vivendo, às vésperas de sediar Copa das Confederações, Copa do Mundo e Jogos Olímpicos.

“Ao receber esses eventos, o Brasil está tendo uma oportunidade única. O esporte no país poderá dar um grande salto e se desenvolver muito, assim como ocorreu com Portugal, quando sediamos a Eurocopa em 2004”, comparou.

Confira a entrevista na íntegra:

Máquina do Esporte: Como será este curso e como será seu trabalho?
Pedro Afra:
Será um curso sobre marketing esportivo, com a participação da agência portuguesa Quest, para pessoas ligadas a esta área. Trabalhei no Sporting [clube português de futebol] por dez anos, de 2001 a 2011. Partilharei um pouco da minha experiência sobre o marketing esportivo europeu.

M.E.: Como você avalia a atual situação do marketing dos clubes de futebol europeus?
P.A.:
Hoje em dia, na Europa, os clubes de futebol podem ser divididos em dois grupos. Em um deles, estão aqueles maiores, cujos direitos televisivos correspondem a 40%, 50% de sua receita. Esses não dependem tanto do marketing. No outro, estão os que precisam desenvolver o marketing e praticar atividades comerciais para sobreviver.

M.E.: A crise financeira pela qual a Europa atravessa prejudica o trabalho do marketing dos clubes?
P.A.:
Sim. A crise financeira afetou os clubes de duas maneiras. Primeiramente, os torcedores sentiram a crise, e, com menos dinheiro, passaram a gerar uma receita menor aos times. Em segundo lugar, as empresas, também com menos capital, foram obrigadas a reduzir o investimento às equipes.

M.E.: Muitos times europeus têm feito ações fora do continente, especialmente na Ásia, para internacionalizar sua marca. Como você analisa isto?
P.A.:
Trata-se de um processo natural, principalmente para quem já trabalhou no marketing esportivo e o conhece. Temos que falar de mercado. E, atualmente, ele está muito saturado. O mercado europeu está caro e já foi explorado. É muito mais fácil, por exemplo, os clubes entrarem no mercado chinês, que é populoso e possui um futebol menos desenvolvido.

M.E.: O investimento financeiro oriundo do Oriente Médio está “dominando” o futebol europeu. Isto é positivo ou negativo para os clubes do velho continente?
P.A.:
Existem prós e contras. O lado positivo é que este investimento do Oriente Médio veio quando a Europa mais precisa dele, no momento em que atravessa uma crise financeira. O lado negativo é que este investimento afeta o fair play desportivo e diminui a competitividade, já que a disparidade entre os clubes mais ricos e menos ricos se acentua.

M.E.: Como foi trabalhar no cargo de diretor-geral do Sporting, um dos maiores clubes de futebol de Portugal? Quais foram os projetos que mais te marcaram?   
P.A.:
Foi uma experiência rica. Um dos projetos que me marcou muito foi a construção do estádio do Sporting, o José Alvalade. A arena foi concluída em 2003 e recebeu jogos da Eurocopa em 2004. Nesses dez anos no clube, muitos de nossos projetos foram voltados para o fã, para o consumidor. A venda antecipada de ingressos para a temporada subiu de 10% para 50% neste período.

M.E.: Você tem acompanhado o trabalho dos departamentos de marketing dos clubes brasileiros?
P.A.:
Conheço um pouco sobre eles. Sei que fazem bom trabalho, principalmente com ativações nos jogos, além de negociarem propriedades de naming rights. No entanto, penso que ainda faltam mais profissionais da área de marketing nos clubes brasileiros.

M.E.: Você acredita que o marketing dos clubes brasileiros poderá algum dia se equiparar ao praticado pelos times europeus?
P.A.:
Claro que sim. É preciso, porém, ter estratégia. No momento, os clubes brasileiros ainda estão muito voltados para dentro do Brasil. Será muito importante para eles projetar sua marca internacionalmente, como estão fazendo os grandes times europeus.

M.E.: Qual a importância deste período de Copa das Confederações, Copa do Mundo e Jogos Olímpicos para o Brasil?
P.A.:
Ao receber esses eventos, o Brasil está tendo uma oportunidade única. O esporte no país poderá dar um grande salto e se desenvolver muito, assim como ocorreu com Portugal, quando sediamos a Eurocopa em 2004.



    


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