O Rally dos Sertões passou os últimos dez anos com a largada feita em Goiânia. Neste ano, quando a competição completa duas décadas de existência, a organização da corrida, realizada pela Dunas Race Promoções, resolveu alterar o local inicial. São Luís do Maranhão receberá a prova, mas não deve manter o privilégio por tanto tempo.

O problema não é com a capital maranhense, mas a Dunas entende que a manutenção de uma cidade por dez anos, como aconteceu com Goiânia, não é um bom negócio. São Luís e as próximas cidades, por tanto, deverão ficar por menos tempo, ainda que o período exato não seja pré-estabelecido.

Em entrevista à Máquina do Esporte, o gerente de marketing e novos negócios da Dunas, Lucas Moraes, explicou que um dos focos das corridas é o trabalho com os visitantes das cidades, por isso a alteração é necessária. “Esse movimento é importante para mudar o mercado da corrida e movimentar o turismo brasileiro”, afirmou.

O problema desse movimento é o trabalho necessário para se fazer um novo trajeto. A Dunas tem que traçar o percurso por satélite e testá-lo mais de uma vez, com avaliação das pistas e das cidades que envolvem a corrida. O objetivo, claro, é que não haja risco à segurança dos pilotos e do público.

Leia a entrevista na íntegra:

Máquina do Esporte: Como um novo local de largada altera a organização do Rally dos Sertões?

Lucas Moraes: Nós estamos preparando uma série de ações para divulgar essa mudança na largada. A competição está comemorando 20 anos de existência, e o início passa de Goiânia para São Luís do Maranhão, onde nós temos conversado há um tempo com governo e empresas locais para fazer isso ser possível. Esse movimento é importante para mudar o mercado da corrida e movimentar o turismo brasileiro. Então vamos fazer ações de divulgações, além do que foi feito com a apresentação da X-9 Paulistana. O carnaval foi um sucesso e o recado já foi dado para o mundo.

ME: Como o Rally dos Sertões foi parar no carnaval de São Paulo?

LM: Nós tínhamos recebido uma oferta há quatro anos, quando o tema era o sertão. Na época, não deu certo e nós não participamos. Mas agora, com as comemorações de 20 anos, nós achamos que era uma oportunidade bacana. Nós nos organizamos com a X-9 Paulistana e a apresentação deu tudo certo, com uma grande exposição do Rally dos Sertões para todo o mundo.

ME: Para a organização, o quão trabalhoso é fazer uma mudança de trajeto?

LM: É um trabalho de um ano, com o levantamento e avaliação de cada cidade que recebe a corrida. Nós temos que pensar na segurança dos pilotos, com todas as viabilidades no apoio. O primeiro passo é fazer um levantamento do trajeto via satélite, para determinarmos qual será esse trajeto. Depois, fazemos o percurso de carro, para avaliar os detalhes da prova. Um mês antes da competição, um carro faz o mesmo caminho, para checar se não há nada de novo, se não há nenhum problema.

ME: Recentemente, a Dunas mudou a empresa que faz licenciamento para o Rally dos Sertões. Qual é o plano para a área?

LM: Fechamos com a U|Racer. A ideia é expandir a linha de produtos licenciados, para termos desde carrinhos de brinquedo, camisetas, até carros licenciados, em edições limitadas. Essa é uma das negociações no momento. Queremos fechar com uma montadora para que ela reproduza os modelos utilizados nas corridas, o que daria mais visibilidade às provas.

ME: E para o turismo?

LM: Temos negociações com a CVC, para que se venda pacotes de expedição e passeios com o nome do Rally dos Sertões. Nós teremos pacotes vendidos com a agência, reforçando a importância do turismo.

ME: O Rally do Sertões ficou dez anos em Goiânia. O plano agora é ficar por bastante tempo em São Luís?

LM: Na verdade, não. O plano é não ficar tanto tempo em uma única cidade. Tivemos até cidades do sul interessadas, então a aposta é que várias cidades participem e concorram para ter a largada.

ME: O Brasil vive a expectativa pelos megaeventos Copa do Mundo e Jogos Olímpicos nos próximos anos. Isso tem alguma influência no negócio do Rali?

LM: Acho que não. Mas nós sabemos bem o momento que o país vive em relação ao esporte. Então temos que, para usar uma expressão dos surfistas, passar a parafina na prancha. Temos que ver com atenção o que pode ser positivo para nós nesse momento e saber aproveitar as oportunidades que surgirão, em especial com o turismo no nordeste.

ME: Fora o Rali, quais são os planos para a Dunas?

LM: Como a Dunas é uma empresa de eventos, nós estamos abrindo os olhos para outros segmentos fora o off road. Um dos focos deverá ser a organização de corridas de rua, algo que nós deveremos abrir nosso portfólio para fazer. Mas isso só será possível a partir de 2013.

ME: Após fazer um rali, fazer uma corrida de rua fica mais fácil?

LM: Em termos de patrocínio, nós já temos um conhecimento de mercado, com pesquisas. Sabemos como buscar o apoio. Na organização, sem dúvida é mais simples. Não dá para comparar um trajeto de 5 mil quilômetros com um de quatro quilômetros.

ME: Por fim, qual é a situação de patrocínio do Rally dos Sertões?

LM: Só agora, no pós-carnaval, é que os contratos deverão ser fechados. Mas temos empresas de anos anteriores que já sinalizaram a permanência, como a Petrobrás, a Mitsubishi e o BVA.                   


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