A Fifa tem uma das posições mais privilegiadas do mundo. Faz o que quer do maior evento esportivo do planeta e não precisa pagar a maior parte da conta. Reformas e construções de estádios ficam sob responsabilidade do governo que se dispôs a receber a competição, na maioria dos casos, ou com a iniciativa privada. Salários de jogadores são um problema dos clubes. Ou seja, a organizadora não paga nem pelo palco, nem pelos artistas, e fatura alto, bem alto. Como é uma entidade sem fins lucrativos, um título que lhe permite escapar de uma série de impostos, acaba tendo de gastar mais e mais dinheiro com polpudos salários, viagens e hospedagens, repasses para confederações, comitês e congressos.

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Especial: Como a Fifa fez a Copa do Mundo brasileira faturar o dobro da alemã

Quanto ganha um funcionário da Fifa, por exemplo? Em 2013, o custo per capita em média foi de R$ 32 mil por mês, ou US$ 14 mil, segundo levantamento da Máquina do Esporte com base nos balanços financeiros desde 2002. Só de salários, sem contar com benefícios sociais, pagos a 452 colaboradores. Esses são números que crescem na mesma medida que as receitas da entidade. Dez anos atrás, em 2003, primeiro ano depois da Copa na Coreia do Sul e no Japão, havia 223 profissionais empregados pela Fifa a um custo médio de R$ 23 mil mensais, ou US$ 8 mil. Neste período, portanto, o número de funcionário dobrou, e os salários deles cresceram cerca de 70%. Ao todo, em 2013, foram gastos US$ 75,9 milhões com salários, US$ 16,9 milhões com benefícios sociais, US$ 2,4 milhões com "outros benefícios" e US$ 6,6 milhões com "outros", o que fez a área "pessoal" consumir US$ 102 milhões.

Outro gasto que tem crescido ano a ano é o chamado "governança do futebol". Em 2007, primeiro ano após a Copa da Alemanha, a Fifa gastou US$ 46,7 milhões com este destino. Seis anos depois, em 2013, este número subiu para US$ 60,2 milhões, dos quais US$ 32,5 milhões foram usados para organizar "comitês e congressos" e US$ 27,7 milhões com "questões legais", processos que correm na Justiça que envolvem o órgão.

Ambos são gastos "menores". Em 2013, salários representaram 8% de todas as despesas, e a "governança do futebol", 5%. Acima deles, estão os que a entidade tem com torneios menos importantes que a Copa, como a Copa das Confederações, o Mundial de Clubes e as várias competições para seleções de base: US$ 161,3 milhões, 12% do total.

Outro destino do dinheiro da Copa são as "despesas de desenvolvimento". Dos US$ 183 milhões registrados em 2013, US$ 69 milhões foram repassados a confederações e associações pelo mundo como parte do Programa de Assistência Financeira (FAP, na sigla em inglês). O restante foi empregado em projetos para fomentar o futebol no mundo.

É a Copa do Mundo, no fim das contas, quem absorve a maior parte das despesas da Fifa. Em 2013, US$ 559 milhões foram custos que a competição de 2014 gerou para a entidade, 43% do total. Aí entra o Comitê Organizador Local (COL), órgão brasileiro formado para organizar a Copa, que no ano passado recebeu US$ 128 milhões. Um detalhe interessante: inicialmente, o COL teria um orçamento de R$ 892 milhões, mas como surgiram imprevistos, custos não previstos, este valor aumentou para R$ 1,056 bilhão, dinheiro que a Fifa colocou diretamente.

Entre outras despesas geradas pela Copa e registradas nos balanços financeiros da Fifa, estão viagens e hospedagens de oficiais da entidade e das seleções, responsáveis por US$ 68,2 milhões em 2013, bem mais do que os US$ 11,1 milhões gastos em 2012.

No fim, a Copa que mais gerou dinheiro para a Fifa também será a Copa em que a entidade mais pôde gastar. No ciclo de Coreia do Sul e Japão, de 1999 a 2002, o custo somado dos quatro anos foi de US$ 1,7 bilhão. Na Alemanha, ele aumentou "pouco", para US$ 1,9 bilhão, se comparado aos ciclos seguintes. A vez da África do Sul consumiu US$ 3,5 bilhões do dinheiro que a Fifa ganhou com a competição, e a brasileira, que já somou US$ 3,4 bilhões em três anos, vai elevar consideravelmente este recorde. A considerar que só em 2013 as despesas bateram US$ 1,3 bilhão, é mais do que provável que a Copa brasileira chegue bem perto dos US$ 5 bilhões gastos ao fim de 2014.


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de euros deve faturar o Barcelona neste ano, um incremento de 40% em relação à temporada passada; meta é de chegar a 1 bilhão em 2021.

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