“O futebol argentino está em uma crise terminal”. A frase foi proferida pelo presidente do país, Mauricio Macri, nos primeiros dias deste ano. Dez meses depois, a realidade está clara como nunca: o time tem grandes chances de ficar fora da Copa do Mundo, algo que não acontece desde 1970.

Caso o time não consiga se classificar ao Mundial, a Associação do Futebol Argentino (AFA) chegaria ao ápice de sua crise. Os problemas começaram a transparecer depois do falecimento de Julio Grondona, que presidiu a entidade por 35 anos; o dirigente faleceu em 2014. Após sua morte, uma comissão foi criada para gerir o esporte no país, mas com sucessivos insucessos.

A situação entrou em colapso especialmente após o fim do ‘Futebol para Todos’, programa da ex-presidente Cristina Kirchner que estatizou a compra dos direitos televisivos do Campeonato Argentino. A iniciativa rendia R$ 500 milhões anuais à AFA, e a sua suspensão pelo atual governo foi o que gerou a frase citada por Macri.

Sem a verba, a AFA tem colecionado problemas. No último ano, a dívida fiscal da entidade já havia chegada a US$ 85 milhões. Neste ano, a falta de repasse aos clubes gerou onda de atrasos salariais a atletas, e o campeonato nacional foi adiado após greve declarada pelo Sindicato dos jogadores do país.

Em campo, a seleção argentina não conseguiu ter continuidade após o vice conquistado no Brasil. Foram três treinadores diferentes ao longo das atuais Eliminatórias, que não conseguiram fazer com que uma geração talentosa, com nomes como Messi, Di Maria e Dybala, rendesse nos gramados.

Caso não se classifique, a crise financeira será ainda pior. Segundo levantamento do site Marketing Registrado, somente em premiação a AFA deixaria de ganhar US$ 12 milhões pela participação. Seriam mais US$ 12 milhões caso se classificasse para as oitavas. E o valor chegaria a US$ 50 milhões com o título.

Entre os patrocinadores, não há cláusulas de rescisão caso o time não dispute a Copa do Mundo. Ainda assim, a AFA deixaria de ganhar algumas premiações dos parceiros. Hoje, a associação conta com o aporte principal de Adidas, Coca-Cola, Quilmes, Claro, Naranja, Sancor Seguros e YPF, que pagam entre US$ 1 milhão e US$ 2 milhões anuais à entidade. Os parceiros menores, como Aerolíneas Argentinas, Gillette e Powerade, arcam com cerca de US$ 500 mil.  


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