Toda empresa enfrenta problema com a sucessão. Por isso, as grandes organizações preparam executivos por anos e os testam em subsidiárias pelo mundo para que tenham capacidade de exercer a liderança quando houver a mudança de CEO.

Transposto para o esporte, não foi o caso da seleção de vôlei. Em 15 anos da era Bernardinho, a CBV não preparou nenhum profissional para suceder o treinador mais vitorioso de sua história. Nesse período, Bernardinho ganhou o tricampeonato mundial, dois ouros olímpicos e oito títulos da Liga Mundial.

Alguns triunfos foram épicos. O último deles, na Olimpíada do Rio. Lembro que, ao chegar ao Maracanãzinho e analisar a escalação de Brasil e Itália, esperei pelo pior. Comparando nome por nome, os rivais tinham mais time. Em quadra, a seleção pulverizou essa pretensa inferioridade.

Em que pese o brilhante retrospecto, não se buscou preparar novos valores da Superliga como assistentes de Bernardinho ou no comando de seleções de base. Era inevitável que uma hora houvesse a troca, seja pelo fim de um ciclo ou pela aposentadoria do titular.

A opção por Renan, outro membro da geração de prata como atleta, expõe a falta de planejamento. Há oito anos longe da função, o novo técnico terá que tocar uma transição também dentro de quadra. E se destacar em um cenário internacional cada vez mais competitivo. Desafios demais para um novato.  


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