Estádio lotado, crianças e mulheres presentes. Na arquibancada, uma linda festa da torcida. Desde o ano passado, essa tem sido a tônica dos clássicos disputados no estado de São Paulo. O veto à presença de torcida adversária nos jogos entre dois grandes clubes tem causado uma perigosa situação.

Cada vez mais é difícil a relação que temos tido com a opinião contrária à nossa. A intolerância com o diferente é um problema que se agrava, a ponto de pensamentos radicais de segregação serem apoiados em massa por nações como Estados Unidos e Inglaterra.

Por aqui, se ainda toleramos divergir em pensamento, o futebol virou o espaço em que pensar diferente não é legal. Num processo longo de fomento de ódio ao diferente, apoiado pela imprensa, mesmo sem perceber, afastamos a diversidade do estádio.

Como pai, só cogitei ir a um clássico com meus filhos ainda pequenos depois de a torcida única ser implementada. Ao perceber isso, reparei o quão estúpida é a decisão de se ter só uma torcida dentro de um estádio no país.

Minha paixão pelo futebol foi testada e aprovada quando assisti a um clássico pela primeira vez no estádio. A festa das duas torcidas, divididas e envolvidas meio a meio, é um cenário que torna impossível não se apaixonar.

Ter só um torcedor na arquibancada justamente no dia em que todos os elementos imponderáveis de paixão num jogo estão envolvidos é começar a colocar um fim naquilo que é o mais importante: aceitar as diferenças.

O esporte pode ensinar muitas coisas às pessoas. Torcida única não é um bom negócio. Em nenhum cenário.


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