O esporte americano é cercado por histórias centenárias que povoam o imaginário popular sobre as mais diversas modalidades. Uma delas é a do Escândalo Black Sox, que abalou profundamente o beisebol na segunda década do século passado.

Em 1919, o favorito Chicago White Sox perdeu a final da MLB, a liga de beisebol dos Estados Unidos, para o Cincinnati Reds. Alguns meses depois, foi descoberto que oito atletas do time derrotado haviam entregado a partida em um esquema envolvendo apostas esportivas. Em 1921, houve um julgamento do caso, e os jogadores foram permanentemente banidos do esporte. E a equipe de Chicago ficou 88 anos sem ser campeã do torneio.

A corrupção oriunda das apostas esportivas faz parte do imaginário popular ao lado das grandes histórias do segmento. Mas a verdade é que ela faz pouco sentido atualmente. Ao Boston Globe, Marc Edelman, professor de direito especializado em apostas esportivas da Baruch College Zicklin School of Business de Nova York, lembrou de um detalhe fundamental: o salário mínimo de um jogador da MLB hoje é de US$ 450 mil anuais. As cifras das apostas não impressionam mais, e é difícil imaginar um grupo de atletas dispostos a arriscar a carreira por pouco dinheiro.

Atualmente, quem sofre com a clandestinidade das apostas esportivas são as ligas menores, como os esportes universitários. E quanto mais discreta é a modalidade, menor é a fiscalização de qualquer irregularidade. Vale a lembrança que, assim como ocorre no Brasil, nos Estados Unidos as apostas ilegais acontecem sistematicamente, sem nenhum tipo de controle, graças a sites hospedados em outros países.

Portanto, parece que atualmente manter o segmento debaixo dos panos é mau negócio em diversas frentes. O esporte altamente profissionalizado perde uma óbvia fonte de receita, algo que o futebol europeu aproveita há alguns anos. Já as ligas menores sofrem com a insegurança, sem um órgão de fiscalização mais sério. Além, claro, do Estado que deixa de receber em tributos das empresas que movimentam bilhões todos os anos.

A discussão vale muito para o mercado brasileiro. No país, há um claro interesse das empresas da área, que fazem malabarismos para se mostrarem legais em publicidades de emissoras de televisão e em sites esportivos. E, se por um lado elas caminham pelos torcedores sem qualquer impedimento, por outro não conseguem impedir escândalos como o caso Edilson Pereira de Carvalho em 2005.

Os países que ainda proíbem as apostas precisam pensar se realmente há alguma efetividade na medida, se há controle sobre atividades ilegais. Se não for o caso, legalizar e normatizar parece ser um caminho mais saudável.


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