A notícia surgiu no fim da tarde de ontem. Em decisão inédita no esporte, o Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) fez com que a agência NBS suspendesse a campanha do Flamengo para atrair novos sócios-torcedores. O vídeo, que já estava no ar havia algum tempo, faz o tradicional apelo para o vínculo emocional do torcedor com o clube, usando elementos como coração pulsantes e fogo para atrair a atenção.

A decisão do Conar surpreende. É a primeira campanha ligada a esporte que passa por uma análise do órgão. Não houve, até agora, uma justificativa para o porquê do veto. Mas ele acende um sinal de alerta para o limite do marketing ao trabalhar o esporte.

Há alguns anos, a Nike não teve o mesmo tratamento do Conar ao criar a campanha “Coisa da Boa”, aludindo o vício do corredor de rua ao de um viciado em drogas. A agressividade da campanha foi vista como uma certa “passada do ponto” da marca, mas não a ponto de ser obrigada a tirar do ar.

Recentemente, a Nestlé teve de recuar no projeto da Copa Nescau de esportes escolares por ser considerada uma forma agressiva de propaganda da marca ao jovem. Na cabeça dos advogados do Instituto Alana, que cuida da relação de criança e consumo, a marca fazia um mal para o jovem. O mesmo instituto não pensou quantos jovens sofrem pelo sedentarismo nos dias de hoje e o quanto uma competição esportiva poderia ajudá-los a isso.

Esporte é emoção. E precisa usar esse vínculo emotivo do consumidor para ampliar vendas e gerar engajamento.

A partir do momento que órgãos de proteção ao consumo ignoram esse fato, caímos num perigoso cenário de acabar de vez com a criatividade.


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