A união do Atlético Mineiro com o instituto Ipsos é daquela notícia que mostra a lenta evolução do mercado brasileiro. Por isso mesmo, o acordo deve ser celebrado como uma luz na relação do esporte com o negócio.

Ao decidir dar mais qualidade de informação sobre sua marca e seu torcedor para as empresas, o Atlético dá o primeiro passo para mostrar que o esporte é uma plataforma de relacionamento e engajamento com as pessoas, algo muito mais valioso do que a ampla exposição de marca que ele já consegue oferecer para as empresas.

O maior desafio que o Atlético terá pela frente é comprovar a eficácia do clube como promotor de vendas para o mercado. Se conseguir fazer isso, ele criará um modelo que deverá ser replicado à exaustão pelos demais clubes no Brasil. E, sem dúvida, será um caminho sem volta para a transformação do mercado de patrocínios.

Desde que foi permitida a exposição de marcas nas camisas dos clubes de vôlei, no começo da década de 80, que o modelo de patrocínio esportivo no Brasil sempre foi a tremenda exposição de marca. O negócio é motivado exclusivamente por isso, basta ver a entrada de novos anunciantes provocada nas últimas semanas pela abertura do espaço das costas da camisa dos clubes que são patrocinados pela Caixa.

Agora, quase 40 anos depois, as marcas e o esporte precisam ir além. E o maior diferencial competitivo que o patrocínio esportivo pode oferecer para as empresas é exatamente a relação de consumo que tem o seu torcedor. Não apenas dos produtos dos clubes e de seus patrocinadores, mas em relação a todo o mercado.

Como sempre nos acostumamos a ver o patrocínio como marca exposta na televisão, também ficamos restrito, nas últimas décadas, a discutir o tamanho da torcida como forma de medir o valor a ser pago por um patrocínio, sem nos preocuparmos em saber quem é, o que faz, onde vive e do que se alimenta o nosso torcedor.

Informação demais nunca é de menos. A partir do momento em que o esporte pode abordar o mercado não com o discurso da exposição de marca, mas sim com a geração de novos negócios para uma marca, ele consegue fazer a transição que falta para o mercado de patrocínio esportivo finalmente entender o sentido de investir.

O acordo Atlético-Ipsos é um alento para que, em tempos de escassez de investimentos, o esporte consiga enxergar que o seu real valor não é apenas ser um produto de grande audiência, mas uma ferramenta de geração de negócios para o patrocinador.


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