Existe uma apreensão no mercado esportivo americano graças aos números de audiência da NFL, em queda nas últimas temporadas. Nessa aflição, é recorrente o discurso da mudança de consumo midiático, de um público jovem menos simpático ao modelo vigente até então. A NBA, por outro lado, mostra um roteiro bem diferente.

A preocupação da liga de basquete com as novas mídias não tem como função central uma transposição de meio, mas um complemento, um modo de promover seus próprios eventos. Caso sejam bem trabalhados, os canais de comunicação não vão ser uma distração, mas sim uma nova ferramenta de aproximação com os torcedores. Esse movimento pode e deve ser convertido em fontes tradicionais: televisão, ingressos, venda de licenciados.

No relatório da Nielsen sobre o esporte na mídia dos Estados Unidos em 2017, há uma ressalva específica para o assunto. Ao longo deste século, as novas mídias foram somadas aos meios tracionais; não houve canibalismo entre as ferramentas de consumo.

Em 2002, um americano com mais de 18 anos consumia conteúdo por 51 horas semanais em média, dividido basicamente entre o rádio e a televisão. Em 2017, o número chegou a 79 horas, graças a inclusão de celulares, tablets, vídeo games, entre outros. Houve, de fato, redução no tempo em frente à televisão e ao rádio, mas muito pouco significante comparado ao crescimento das novas mídias.

Além disso, apenas da revolução no consumo midiático vivenciado nesta década, o conteúdo não sofreu alteração. O modelo de série propagado pelo Netflix é o mesmo da HBO na TV, que é o mesmo em exibição nos canais abertos no início da década de 2000. A linha serve também para o esporte.

O que o entretenimento precisa assimilar de forma natural é a necessidade de ampliar a própria presença nos novos canais, algo que a NBA tem demonstrado maior preocupação. O jovem torcedor, absorvido por um ambiente estimulador, recorrerá aos velhos caminhos de consumo, seja na televisão ou na cadeira de um estádio.

Vale a ressalva de que a NFL é um produto incomparável na televisão americana. As duas finais de conferência da última temporada tiveram alcance superior a 40 milhões de pessoas cada uma, número quase cinco vezes maior do que o recorde apresentado pela NBA neste ano. Por isso, as variações nos dados da disputa são usadas como referência no mercado esportivo. O problema é que essa amplitude de público torna mais difícil uma comunicação precisa. E, portanto, talvez não seja o melhor caminho para a compreensão do momento vivido pelo esporte.


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