Qualquer pessoa com o mínimo de sensibilidade e empatia ficou absolutamente estarrecida com as imagens que antecederam Coritiba e Corinthians no último domingo. Um torcedor, isolado, foi severamente espancado por outro grupo. Pouco tempo depois, autoridades chegaram a declarar a morte da vítima, informação negada em seguida.

O caso foi registrado na frente do estádio Couto Pereira, em Curitiba. Foi exatamente esse o local onde, há menos de seis meses, outro torcedor foi morto após tomar um tiro de um policial, horas antes do duelo entre Coritiba e Atlético Paranaense, disputado na Arena da Baixada.

Não caberá neste espaço ressaltar a notória incompetência dos órgãos públicos em evitar e, posteriormente, punir severamente os envolvidos em casos de tamanha atrocidade. Mas sobram espaços para criticar o desdém daqueles que organizam o evento. Para esses, o problema é de terceiros, como se não houvesse responsabilidade social das entidades esportivas ou, mais friamente, como se a violência não impactasse o produto futebol.

Em 2007, o Campeonato Italiano chegou a ter rodada suspensa após a morte de um policial. Meses depois, um torcedor da Lazio foi morto pela polícia, e mais uma vez houve a suspensão de partidas do torneio. Com o histórico de violência no futebol do país, a Liga tinha um objetivo claro: não banalizar as barbaridades ocorridas no entorno de arenas esportivas.

Essa é uma apreensão que deveria ser mais nítida aos olhos dos dirigentes brasileiros, historicamente mais preocupados com questões que pouco alteram o cenário geral. Como se sinalizadores fossem o epicentro do drama nos estádios.   


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