As diretorias de Flamengo e Cruzeiro fizeram uma bonita iniciativa para a decisão da Copa do Brasil: em ação em conjunto, os dois times pediram para que as torcidas recebessem bem uma a outra. “Final de time grande”, exaltaram. Mas, na quinta-feira, o que se viu no Maracanã esteve longe da ideia inicial.

Foi um choque de realidade. Ainda que os clubes tenham tido uma boa ideia, ela é inócua frente aos reais problemas de logística que enfrentam os estádios brasileiros. Antes da decisão, o que se viu foram imagens que se repetem há décadas no país, com pouco sinal de melhora.

A decisão no Maracanã foi terrível para imagem do estádio, do torneio e dos clubes. Bombas, invasões e corpos ensanguentados formam tudo o que a indústria do esporte quer se ver livre, mas não tem conseguido.

E não consegue porque não é fácil, mesmo. No duelo entre cariocas e mineiros, ficou difícil até encontrar um culpado. No Maracanã, a polícia não deu conta dos torcedores que estavam fora. No interior, os seguranças não conseguiram agir contra aqueles que insistiram em pular grades.

A ineficiência, no entanto, não deve significar que a união entre os times deve ser descartada. A ação, claro, ajudou a enaltecer a partida entre os dois. Mas, caso queiram se livrar da desorganização que assola os estádios, a união deverá ser bem maior.

Somente unidos, times, órgãos públicos, entidades esportivas e torcedores conseguirão identificar os reais problemas e as reais soluções, sem as velhas bobagens como torcida única ou proibição de bandeiras. Do jeito que funciona, só resta choramingar a ausência de público e patrocinadores.


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