A temporada de 2018 começou com um problema para quem quer pensar no futebol brasileiro como um produto mais rentável. É claro e evidente que o atual calendário peca, e muito, pelo excesso de jogos. O principal culpado por isso é o torneio estadual, que chega a abocanhar vinte eventos dos times grandes. Mas, depois de domingo, como defender o fim dos torneios?

Com estádios lotados, as finais provaram que a disputa até tem um amplo espaço no afeto dos torcedores. E, para colocar fogo na discussão, o Paulistão teve o seu melhor desempenho na audiência desde 2004. E com direito a uma final que fez torcedores lembrarem de jogos históricos que marcaram o apogeu do torneio paulista.

O fato, por outro lado, não chega nem perto de apagar o melancólico caminho que marca os estaduais até os jogos decisivos. Talvez seja o caso de perguntar para algum dos 196 presentes no jogo entre Red Bull e São Bento se o torneio ainda vale a pena.

No Paulistão, a média de público não chega a 10 mil. Nos torneios de outros estados, a realidade é consideravelmente pior. No carioca, por exemplo, ficou em 4 mil. Ainda não existe um modelo sustentável para números tão ruins. Mas, sim, foram mais de 60 mil no Maracanã em uma tarde inesquecível para qualquer botafoguense.    

Não há uma fórmula certeira, é verdade. Nos Estados Unidos, por exemplo, a NFL obtém enorme sucesso com pouquíssimos eventos. Um time da MLB, por outro lado, tem o dobro de jogos que qualquer grande equipe brasileira e, mesmo assim, o negócio funciona. O que é preciso é uma organização de fato, um calendário que tenha um racional mercadológico otimizado. Hoje, isso está longe de ser realidade.


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